Seca eleva preço do café na Bolsa de Nova York
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sexta-feira, 18 de outubro de 2002
Reportagem Local 
O estrago causado pela seca nas lavouras de Minas Gerais e São Paulo repercutiu esta semana na Bolsa de Nova York. O mercado futuro fechou em alta na terça-feira; na quarta houve oferta de títulos para realização de lucros e consequente queda nas cotações. Mesmo assim, os preços foram mantidos em alta no mercado interno, cedendo apenas R$ 5,00/saca em Londrina.
Cafés finos de Minas e São Paulo encostaram nos R$ 200,00/saca. No Paraná, cafés finos, tipo 6, bebendo duro, chegaram a R$ 165,00, cerca de R$ 25,00 sobre preços de duas semanas atrás.
O preço ''da seca'' - como foi chamado - fica bem acima do patamar pretendido pelo governo com os contatos de opções, cujos leilões, mês passado, ajudaram a tirar o setor da crise, projetando R$ 130,00/135,00 para dezembro.
O comerciante Marcos Baccetti previu a sustentação dos preços, mesmo alternando algumas oscilações.
''O déficit hídrico é maior que as variações e especulações inerentes ao mercado'', segundo Baccetti. Ele disse que o problema dos cafezais de Minas não é apenas a seca. Há um quadro de debilidade do café, que nos últimos anos sofreu forte redução nos tratos com adubo, por culpa do preço baixo, que não encorajou investimentos.
A este quadro, o comerciante, de Londrina, acrescenta a agravante da bianuidade, que historicamente tem alternado safras de baixa e de alta produção. Em condições normais, a safra de 2003 será a safra do ano ''não'', ou seja, a safra baixa, independente de adversidade climática.
No Paraná, houve abortameto floral na semana passada, por conta da alta temperatura, mas os níveis de perdas não chegam à comprometer a produção da próxima safra. Há pelo menos mais duas floradas para a próxima colheita.


