Em abril, os preços do litro de leite permaneceram em alta em todo País. Boa parte desse aumento é reflexo da diminuição da oferta do produto por causa da entressafra. A seca enfrentada pelo Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais também contribuiu para elevar os preços. Em termos reais, porém, o produtor recebeu uma média de 4% a menos do que em abril do ano passado.
Para Jorge Rubez, presidente da Organização Leite Brasil, a entressafra não é a única culpada dos aumentos de preço do leite no período. ‘‘Outro motivo é o completo caos que existe na formação de preços do produto, onde a regra é não ter regra’’, argumentou. Ele acrescentou que nesse processo, quem sai perdendo é o produtor, cujas margens de lucro são cada vez menores apesar dos constantes aumentos de preço para o consumidor.
Agência reguladora Rubez defende que a solução para o problema é a criação, por parte do Governo, de uma espécie de agência reguladora do leite, nos moldes das instituições criadas após a privatização de empresas públicas. Alguns exemplos são a Agência Nacional do Petróleo, Agência Nacional de Saúde e Agência Nacional de Telecomunicações, que prestam serviços em setores críticos sob o ponto de vista de concentração de poder.
Essa agência, presidida por um representante do poder público, seria formada pelas entidades oficiais de todos os elos da cadeia do leite, inclusive consumidores. ‘‘Caberia a ela dirimir as pendências e evitar que os interesses de um elo se sobreponham ao de outros. Suas decisões seriam soberanas e os elos que não as acatarem estariam sujeitos a sanções administrativas e até penais’’, explicou.
Preços em abril Segundo levantamentos do Cepea - Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq, no período de 95 a 2001, pós-plano Real, os preços do litro de leite em abril, em média, elevaram-se em 5,38% em relação ao mês anterior. Em abril de 2001 esse aumento foi de 8,20% e em 2002 essa elevação ficou em 7,37%. Verificou-se que desde dezembro de 2001 ocorrem aumentos nominais contínuos, acumulando variação positiva de 22,42%.
Tirando o efeito da inflação pelo IGP-DI, os preços de abril de 2002 são menores que os praticados em abril de 2001, cuja diferença negativa é de 4,32%. Com isso o produtor está recebendo, em termos reais, menos do que no ano passado.
Os leites tipos B e C subiram, respectivamente, 6,57% e 7,37% em abril de 2002, em relação ao recebido pelos produtores em março na média dos seis principais estados produtores. A cotação média praticada em abril, referente ao produto entregue em março de 2002, foi de R$ 0,3898/litro para o leite B e de R$ 0,3214/litro para o leite C, enquanto no mês anterior os preços médios foram R$ 0,3658/litro e R$ 0,2993/litro.
Em Minas Gerais, o leite tipo B teve alta de 4,45% e a colocação do produto no varejo foi de 94,86%, ou seja, nem toda a produção ofertada pelos laticínios foi absorvida pelo varejistas. Já em São Paulo, a colocação foi de 86,44% e os preços subiram 8,63%.
O leite tipo C, em Minas, registrou uma alta de 9,04%. No estado de São Paulo, a elevação foi de 6,88%, destacando-se as regiões de Sorocaba (10,52%) e São José do Rio Preto (8,06%). Em Goiás, as cotações se elevaram 10,24% e no Paraná, onde a seca foi mais grave, o tipo C mostrou uma recuperação de 14,36%.
Serviço Outras informações sobre o mercado do leite podem ser obtidas através do Laboratório de Informação do Cepea pelos telefones (19) 3429-8837/ 8836 ou [email protected].

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