Seca e câmbio derrubam safra da laranja
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sexta-feira, 16 de setembro de 2005
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
A produção de laranjas no Paraná deverá ser 30% menor este ano. A estimativa é do citricultor Rogério Baggio, de Paranavaí, segundo maior produtor da fruta no Estado. Com um pomar de 110 mil pés, ele espera colher o suficiente para pagar os custos de produção. O câmbio desfavorável e a queda na produtividade - provocada pela seca - afetaram a colheita, segundo Baggio. Se no ano passado ele produziu 250 mil caixas de 40,8 quilos (kg), este ano ele espera colher apenas 190 mil caixas.
Apesar da quebra, o setor promete crescer no ano que vem, assegura Baggio. Ele explica que a previsão de chuvas regulares para os próximos dias na região Noroeste deve garantir uma boa florada e com isso uma boa produção em 2006.
''Os sucos também devem manter bons preços, com perspectivas de aumento'', diz. Hoje, toda a produção de Baggio é destinada à fabricação de suco pela Paraná Citrus, indústria da Cocamar Cooperativa Agroindutrial, de Maringá, ele recebe entre US$ 2,20 e US$ 2,50 pela caixa da matéria-prima. ''O preço da laranja em dólar está razoável. O câmbio é que está ruim'', completa o produtor.
A expectativa da Paraná Citrus, é processar 3 milhões de caixas provenientes de 3,5 mil hectares (ha) de pomares em produção. Com capacidade para transformar até 5 milhões de caixas, a fábrica deverá atingir essa meta no próximo ano. Exportando 70% da produção de suco concentrado e congelado para o mercado europeu, a indústria também destina parte do suco pronto para beber ao mercado asiático.
Dados do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), apontam para uma leve diminuição na área cultivada com laranja no Paraná. Os últimos dados, referentes à safra 2003/04, assinalam uma produção de 331 mil toneladas (t) numa área de 13.582 hectares (ha). Na safra 2002/03, a produção foi de 322,2 mil t numa área de 13.970 ha. Os números apontam, no entanto, que a redução da área de plantio não prejudicou a produtividade dos pomares, que hoje gira em torno de 21,8 mil kg/ha.
Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informa que a área destinada à produção de laranja no País na safra 2004 somou 819,7 mil ha. A colheita foi de 18,2 milhões t, sendo São Paulo responsável por mais de 90% da produção, com 14,7 milhões t.
Benno Roes, chefe do departamento de fruticultura da Corol Cooperativa Agroindustrial, de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), informa que 50% da colheita já foi concluída no Estado, dando início à nova floração dos pomares. Com a chegada da primavera, explica Roes, é o momento de adubar as plantas. ''Apesar da safra ser 30% menor, as frutas estão melhores e o rendimento das indústrias deve ser 10% maior em relação ao ano passado'', analisa.
No Paraná, a variedade pêra continua sendo a mais cultivada, respondendo por 60% da produção estadual. As variedades valência, folha murcha e Iapar 73 completam a lista de cultivares, ocupando respectivamente 20%, 15% e 5% da área de plantio.


