A estiagem que atinge a Região Sul do País já influencia nos custos de produção da pecuária paranaense. Segundo informações do presidente da Associação Nacional dos Produtores de Bovino de Corte (ANPBC), José Antônio Fontes, a seca, além de encarecer os insumos agropecuários retardou a estação de monta dos animais atrasando, assim, o período de engorda.
Segundo ele, com a estiagem, os pastos perdem a qualidade nutricional, obrigando o produtor a adicionar mais suplementos na alimentação dos animais. ''Sal mineral e principalmente o milho são itens que vêm pesando no bolso do produtor'', destaca Fontes. Além disso, ele complementa que o valor da arroba do boi está aquém do que os pecuaristas esperam, o que muitas vezes tem gerado prejuízos.
Embora o cenário atual da pecuária paranaense seja preocupante, os índices de mercado mostram que o setor vem se recuperando nos últimos anos, principalmente depois da crise que o setor passou em 2008. Nessa época, muitos produtores foram obrigados a abater fêmeas para suprir as necessidades do mercado. Fábio Mezzadri, veterinário da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), afirma que o número de abate de matrizes vem diminuindo, ''prova de que o setor está se reestruturando'', avalia.
Em 2010 o índice de abate de matrizes era de 48%. No ano passado, esse número passou para 45%. Para este ano, o veterinário da Seab estima uma queda ainda maior no número de abate de matrizes, embora o mercado ainda sofra com a falta de disponibilidade de animais. Mezzadri completa que a evolução do setor pode ser vista pelo crescente volume de produção do Estado, pois só em 2010, o Paraná chegou a produzir 267,68 milhões de quilos de carne. Em 2011, apesar dos números ainda não estarem fechados, segundo o veterinário ''o volume deve ser superior ante o ano anterior''.
O especialista completa que ainda falta muita coisa a ser feita para melhorar o crescimento do setor, principalmente no que diz respeito à elevação no número de animais, o que inclui bezerros e boi magro de boa qualidade. ''Devido à falta desses produtos, os preços do bezerro, por exemplo, pode chegar a R$ 800 por cabeça'', afirma. Esses valores elevados, completa o especialista, já influenciam no preço final do animal. A média de 2011 da arroba do boi gordo, segundo Mezzadri, ficou em R$ 97,05. Já neste início de ano, o valor da arroba está em R$ 95,43, ante a média de R$ 97,05 do último mês de dezembro.
Exportações
Devido ao fechamento da planta do JBS em Maringá em agosto de 2011, as exportações paranaenses de carne bovina tiveram um recuo em comparação ao ano anterior. Em 2010, o Paraná exportou 22,18 mil toneladas, ante 12,77 mil toneladas que foram enviadas entre os meses de janeiro a novembro, conforme informações do Deral.

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