O longo período de estiagem associado à altas temperaturas castigou as lavouras de milho, principalmente nas regiões Norte, Norte Pioneiro e Noroeste do Estado. Só a região Norte é responsável por 19% da produção total do Paraná.
Segundo Vera Zardo, engenheira agrônoma do Depramento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura (Deral), a estimativa era de produzir nesta safra
mais de 1,2 milhão de toneladas (exatas 1.290.800 t). ''Dificilmente esta meta será atingida'', afirma.
Algumas regiões, como a de Londrina, estão há 40 dias sem chuva. A pouca chuva de segunda-feira não melhorou a situação. Segundo dados do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), no mês de outubro choveu em Londrina apenas 14 milímetros.
As temperaturas atingiram 6 a 8 graus acima da média esperada para este mês em diversos locais. Nas regiões Norte e Nordeste as temperaturas máximas diárias atingiram entre 32 e 38 graus. As mais elevadas foram registradas no dia 11 com 38,7 graus em Cambará; 37,4 graus em Paranavaí e 36,5 graus em Londrina.
Como o quadro de seca no Norte do Estado é extremamente crítico, a área plantada poderá ser inferior a projetada inicialmente. Foram semeadas 67% dos 275.829 mil ha, quando segundo Vera Zardo, 100% da área já deveria estar plantada. Em Cornélio Procópio, Norte Pioneiro, por exemplo, o plantio foi apenas iniciado, com 10% de área plantada.
Segundo o Deral, no Centro-Oeste a situação é preocupante em relação à safrinha de milho, ''que tem maior expressividade de produção do que a 1 safra''. A região Centro-Oeste é a maior produtora de milho safrinha, respondendo por 50% de toda a produção nacional.
Na região Norte os agricultores enfrentam problemas também com as lavouras já iniciadas que em função da estiagem não se desenvolveram e enfrentam problemas com germinação, stande baixo e ataque de pragas.
O médio agricultor Adão de Pauli, de Paiquerê, distrito de Londrina, concluiu apenas 30% do plantio na área de 50 ha. A lavoura já iniciada não está se desenvolvendo e das 120 sacas que ele esperava colher por hectare, acredita que consiguirá apenas 80.
A breve chuva que caiu na segunda-feira o animou a reiniciar o plantio. ''Vou tentar mais dois dias, se não chover mais, então passo para a soja'', afirmou. ''É preciso chover mais 100 mm''. Na região muitos pequenos produtores nem tinham iniciado o plantio.
Segundo Vera Zardo, ainda não é possível falar em quebra de safra nem quantificar perdas, mas a situação é preocupante. Ela afirma que mesmo com chuva muitos agricultores podem não concluir o plantio por já estar fora de época e ainda destruir as lavouras já iniciadas e mudar a área para plantio de soja.
''Se isto ocorrer, o Deral terá que fazer uma reavaliação da área destinada ao milho'', afirma. A situação agrava ainda mais um problema que vem se desenhando nos últimos dois anos: redução da área de milho em 27,5%, em função do mercado. O agricultor tem dado preferência para a soja, comprometendo o abastecimento de milho.
No ano passado houve uma redução de 20% e este ano de 7,5%, o que corresponde a 1.367 milhão hectares plantados contra 1.400 milhão de hectares no ano passado. Com isto, a produção deste ano já será reduzida em 8%, passando de 7.424 milhões de toneladas em 2001, para 6.800 milhões.
A redução de área em função do mercado junto com o problema climático
que se apresentou este ano com seca e altas temperaturas desde março, torna crítico o abastecimento. O atraso no plantio da soja poderá
comprometer o plantio do milho na 2 safra, da qual o mercado consumidor será extremamente dependente para complementar o abastecimento.
De acordo com dados do Deral, ''mesmo que os produtores ignorem o calendário de plantio, concretizando um aumento expressivo na área plantada, o risco climático poderá reduzir a produtividade''.
O agricultor Adão de Pauli, por exemplo, depois do investimento pesado que fez em sementes e adubação na safra verão de milho, ainda tem dúvidas se plantará a safrinha.

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