Além de causar quebra da produção, a longa estiagem ocorrida nos dois primeiros meses de 2004 acelerou o amadurecimento dos grãos de café. Com isso, a colheita, que deveria começar apenas no final de abril, teve início já na primeira semana do mês.
Segundo a agrônoma do Deral/Seab Magorete Demarchi, a região noroeste do Estado foi a que mais sofreu com a estiagem. ''A estimativa era produzir 2,4 milhões de sacas de 60 kg, mas deverá haver uma quebra de 1,6%''.
Na região de Maringá, segundo o agrônomo Adenir Fernandes Volpato, da Cocamar, por conta do amadurecimento precoce, muitos produtores estão colhendo o café verde misturado ao maduro.
O manejo deprecia a qualidade do produto final. O maior problema é a redução do tamanho dos grãos, o que afeta o valor recebido pela saca, ao redor de R$ 160. ''Para um custo de produção estimado entre R$ 140 e R$ 150, a cotação do momento, que tende a continuar evoluindo, já oferece alguma margem de lucro, o que não acontecia nos últimos anos'', lembra Volpato.
Segundo Volpato a seca, somada à falta de tratos adequados nas lavouras motivada pelo desânimo dos produtores em investir, em razão dos preços baixos, deverá provocar uma quebra de 20% nas lavouras dos cooperados da Cocamar. Outro fator que contribuiu foram as doenças que afetaram o café (cercóspora e a chamada mancha aureolada). ''Lavouras situadas no Arenito foram as mais afetadas'', acrescentou, lembrando que as doenças provocaram o chochamento dos grãos e a seca de ramos.
Para o agrônomo, como a produção deste ano é da chamada ''safra cheia'', a redução será bem maior em 2005, somando ao efeito de todos esses problemas o natural desgaste das plantas, dada a característica de bianualidade da cultura.
Volpato aconselha os produtores a aguardem até o final do período de inverno para definir o que fazer com os cafezais. Entre as medidas a serem recomendadas estará, possivelmente, a poda das plantas. Já sobre a qualidade do café colhido, o agrônomo frisou que a safra deverá dar boa bebida, apesar dos grãos menores, resultado do período seco. (Mariana Guerin)

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