O médico Radamés Spironeli, de Londrina, dedica parte de seu tempo para gerenciar uma indústria de sebo e farinha de carne, montada 54 anos atrás por seu pai. Ele explica que o sebo tem um mercado promissor no Brasil e a sua fabricação é ''economicamente interessante.'' Embora seja um produto muito associado à fabricação de sabão, segundo Spironeli, o sebo ''tem uma infinita gama de utilização.''
Obtido por meio da coleta dos subprodutos bovinos que saem dos frigoríficos e abatedouros o sebo nada mais é do que a gordura do boi. Os principais produtos que podem ser extraídos do sebo bovino são: ácido esteárico, glicerina e oleína.
A glicerina, de acordo com Spironeli, é usada na indústria de pneus, sabonetes, perfumes; há também uso de ácidos graxos geralmente para produção de alimentos e com aquilo que sobra de pior se faz o sabão, sendo último da lista de utilização do subproduto.
''Parte do sebo produzido também pode ser aproveitado na indústria de ração animal e outra parte vai para indústrias fabricantes de uma variedade de produtos que vão desde o sabão até a margarina vegetal, entre outros.''
Oitenta por cento da produção de sebo da graxaria de Spironeli é vendida para São Paulo. A comercialização é feita por tonelada/líquida e é balizada pelos preços de compra da Gessy Lever, a maior compradora do produto. A tonelada fica em torno de R$ 1.300. O produto é valorizado, segundo o médico e empresário, porque para conseguir qualidade há uma série de exigências a cumprir.
O rendimento do sebo é menor, de cada 100 kg são aproveitados de 10% a 12%; já a farinha de carne e ossos tem rendimento entre 25% a 30%. Na indústria se tem maior dificuldade de conseguir um bom produto. ''É necessário produzir um produto limpo, transparente, sem cheiro e isso dispensa muito trabalho.''
Uma pesquisa na Internet demonstra que o sebo bovino compõe uma cadeia produtiva que movimenta em torno de R$ 600 milhões por ano e cresce num ritmo de 15%.
Matéria-prima para sabão e outros produtos de higiene e limpeza, o sebo gira um volume de 400 mil toneladas distribuídas em pequenas empresas processadoras como a de Spironeli, esparramadas em todo o País. Do total produzido 45% é destinado à indústria de sabão, 33% para sabonetes, 15% para óleos químicos e 7% outros como rações.

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