Um experimento que vem sendo realizado por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) há mais de dez anos comprova a eficiência do sistema de produção que integra lavoura e pecuária. Alimentando o gado a pasto durante o ano todo, o pecuarista reduz custos de produção. Já a comercialização de grãos e carne permite a duplicação dos lucros da atividade agropecuária.
  No sistema integrado, a adubação do solo é fundamental. A orientação é construir o pasto em uma área nobre, adubá-lo e manejá-lo em sistema rotacionado. Desta forma, o número de unidades animais por hectare (ha) também pode ser maior. Segundo o agrônomo Sérgio José Alves, pesquisador do Iapar, o pecuarista tradicional costuma colocar apenas um animal/ha, enquanto que o sistema integrado prevê alimentação para até 10 animais/ha.
  O pastejo rotacionado no verão combinado à alimentação com aveia e azevém no inverno, explica Alves, permite ainda uma média de ganho de peso diário de até 900 gramas por animal. Na pecuária tradicional, a média anual de engorda dos animais é de apenas 270 gramas/dia. ‘‘Sem perder peso durante o inverno, o boi pode ser abatido com 18 meses’’, afirma.
  Em uma área de pesquisa de 12 ha, localizada na Fazenda Experimental da Coamo Agroindustrial Cooperativa, de Campo Mourão, são abatidos até 36 animais por ano em sistema intensivo de produção. Alves assinala que a área foi dividida em oito hectares de soja, que no inverno, dá lugar ao pasto de aveia e azevém. Outros três hectares são destinados à pastagem de verão e meio hectare é plantado com cana-de-açúcar.
  A estrela e a mombaça foram as espécies de verão escolhidas. A mombaça, de acordo com Alves, permite ganho médio de peso diário de 800 gramas numa lotação de 10 animais/ha. Com a estrela, o ganho de peso é menor, mas o período de pastejo é mais longo.
  Já o consórcio entre a aveia o azevém mantém a oferta de alimento durante o inverno. Por ser mais tardio e resistente à geada, o azevém complementa a aveia, que é mais precoce. ‘‘Quando o gado está acabando de comer a aveia, o azevém já está brotando’’, diz o pesquisador.
  No sistema integrado, o animal passa de 120 a 150 dias pastejando. Só na aveia, o boi fica de 70 a 100 dias. No caso de um inverno muito seco, a alimentação é complementada no cocho. Alves aposta na cana para a região Norte do Estado, pela oferta e custo baixo. ‘‘Já no Sul, a silagem é a indicação mais barata’’, reforça.
  O agrônomo atenta para a necessidade de um bom manejo no pasto de inverno. Para evitar a compactação do solo pelo pisoteio dos animais, por exemplo, ele sugere que o produtor não deixe o gado comer todo o pasto. ‘‘O ideal é ajustar a carga animal de acordo com o crescimento da pastagem’’, declara. No inverno, o pesquisador sugere alocar de 3 a 5 bois/ha, enquanto que no verão esse número pode subir para 10 a 12 animais/ha.

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