Saúvas causam prejuízo de US$ 70 milhões anuais
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sexta-feira, 26 de outubro de 2001
Carolina Avansini<br> De Londrina 
O Brasil cultiva anualmente três milhões de hectares (ha) com reflorestamento. Nessa área, são gastos R$ 100 milhões por ano para controlar a ação das formigas cortadeiras, ou saúvas, que prejudicam o desenvolvimento das árvores. Apesar do investimento, o País perde 10 milhões de metros cúbicos de madeira a cada doze meses, totalizando um prejuízo de US$ 70 milhões.
As informações são do engenheiro florestal José Cola Zanúncio, professor da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, que esteve em Londrina participando do 15º Encontro de Mirmecologia promovido pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), durante a última semana. De acordo com ele, uma das soluções para amenizar o problema é a criação de programas regionais de prevenção aos insetos, que reúnam esforços da pesquisa e das administrações locais. ''Não adianta o produtor controlar as formigas de sua propriedade se o vizinho não se preocupa com o problema'', disse, lembrando que no Brasil, são raras as iniciativas do poder público para combater os formigueiros.
Prevenção
Zanúncio ressaltou que existe uma série de medidas possíveis para reduzir a infestação. A principal delas é realizar o manejo constante da área. Ele orienta que em reflorestamentos, é preciso manter os chamados sub-bosques, constituídos por espécies diferentes daquela plantada para exploração comercial. ''Não se deve limpar o solo, deixando apenas os pés de eucalipto, por exemplo'', comentou.
A manutenção de 30% da vegetação nativa da área, que aliás constitui uma obrigação prevista em lei, também ajuda a controlar os formigueiros. Segundo o professor, a mata garante a sobrevivência de animais que atacam as formigas, equilibrando o sistema. Outra iniciativa possível é manter alguns tamanduás no reflorestamento. ''Esses animais atacam as rainhas, que são as responsáveis pela reprodução do formigueiro'',ensinou.
As recomendações também podem ser utilizadas em pastagens, que costumam ser suscetíveis aos insetos. ''Nesse caso, a receita é evitar a degradação do pasto e realizar uma boa rotação de culturas'', acrescentou.
Químicos A utilização de produtos químicos é uma alternativa que só deve ser usada quando os custos compensarem os prejuízos. ''Além de ser caro, contamina o meio ambiente'', considerou. Se houver necessidade de apelar para os defensivos, a recomendação é optar por produtos mais modernos, que deixem poucos resíduos. ''Os cuidados com o meio ambiente são uma exigência do mercado externo, para onde o papel produzido com madeira de reflorestamento é exportado'', disse Zanúncio.
Ele informou que a utilização de iscas formicidas ainda é o método mais eficiente para combater sauveiros. O importante, segundo ele, é atingir a rainha para evitar a reinfestação. ''Não adianta matar uma grande quantidade de operárias se a rainha continua se reproduzindo'', avaliou. Como a formiga-mãe é muito protegida pelas outras, que evitam sua exposição a qualquer ameaça, o desafio dos pesquisadores é descobrir um produto que desorganize o sauveiro, deixando a rainha mais suscetível. ''Isso também faria com que os formigueiros entrassem em luta uns contra os outros, se autodestruindo.''
Como esse produto ainda não existe, a solução é utilizar iscas que eliminem as formigas cultivadoras, responsáveis pela produção do fungo que alimenta os insetos.
Atualmente, uma das grandes novidades da indústria química é a isca embalada em papel parafinado, que se degrada em três a quatro meses e não prejudica aves e seres vivos que possuam fígado, como é o caso dos mamíferos. Antigamente, as iscas vinham em plástico, que por não se digerido por bois e outras espécies, acabava provocando a morte desses animais. A isca de papel é especialmente indicada para controlar as quenquéns, comuns no sul do País e que tem formigueiro de difícil localização.


