Saúva só existe nas Américas
Saúva só existe
nas Américas
Das 15 espécies de saúva registradas nas Américas elas não habitam os outros continentes , 10 estão presentes no Brasil. Já das 26 espécies de quem-quem (Acromyrmex), 20 são encontradas no País. No Paraná, segundo o professor Alberto Cavalcanti Vitório, as espécies de saúva que causam mais problemas são a saúva-limão (Atta sexdens) e a saúva cabeça-de-vidro (Atta laevigata), que atacam todos os tipos de cultura.
Vitório considera mais grave, no entanto, o ataque da saúva parda (Atta capiguara), que vem infestando as pastagens na região de Paranavaí. Essa é de difícil controle, porque ainda não temos um produto direcionado para ela, ressalta. Segundo ele, o Paraná vem sofrendo com um aumento desenfreado da população das cortadeiras. As causas para isso são várias. Uma delas é a substituição de culturas nativas por outras, exóticas, que não têm resistência.
Vitório cita o exemplo dos eucaliptos, que chegaram da Austrália sem apresentar resistência à presença das cortadeiras. Outro problema é a monocultura, que acaba incentivando a praga a cortar cada vez mais a cada nova safra. Outro fator é a falta de controle da praga em um mesmo período por todos os produtores rurais de uma região atingida pelas formigas. A praga vem aumentando, porque não está sendo combatida corretamente, frisa Vitório.
O professor lembra que, na época das revoadas, entre setembro e outubro, uma rainha chega a voar até 11 quilômetros para formar um novo formigueiro. Durante a revoada, que só acontece em formigueiros com mais de três anos, a fêmea é seguida por até nove machos. Os machos morrem logo após a fecundação, mas a futura rainha fica com cerca de 300 milhões de espermas e dá início ao um novo formigueiro.
Das formigas que saem em revoada, no entanto, só 0,05% conseguem formar um novo formigueiro. As demais são combatidas pelo ataque de pássaros e insetos. Mas o maior inimigo natural das formigas está no solo o tatu. Muitas pessoas pensam que é o tamanduá, mas ele tem a língua pequena e não consegue atingir o fundo do formigueiro, ressalta Vitório. O professor lamenta que o desmatamento tenha provocado o desaparecimento dos predadores. (S.S.)





