Saúde que nasce no campo
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sábado, 11 de novembro de 2006
Flora Guedes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A colheita da camomila já se encerrou. Mas, nem por isso é preciso esquecer a beleza de um campo da erva pronta para ser colhida. O perfume e a beleza das delicadas flores, nas cores branca e amarela, tomaram conta da atmosfera. Neste ano, as geadas foram bem-vindas para a espécie, que é típica do inverno e resistente ao fenômeno, diminuindo o trabalho do agricultor no controle do mato.
Por outro lado, a estiagem da estação quebrou a safra em Mandirituba, na Região Metropolitana de Curitiba, cidade conhecida como ''a capital nacional da camomila''. Os mais de mais de mil hectares de cultivo gerou apenas 40% da safra de costume e o volume colhido deve ficar em torno de 50 toneladas, segundo a Emater. Em função da tecnologia de produção, o município tem capacidade de produzir até 600 quilos da erva por hectare e tem mercado assegurado, principalmente em São Paulo.
''A camomila é quase uma cultura endêmica em Mandirituba e está se desenvolvendo em cidades vizinhas, como Araucária e Quintandinha. Aqui também se produz, em menor escala, calêndula, alcachofra, pitanga, capim-limão marcela, carqueja e condimentares, como salsa e cebolinha'', diz o técnico da Emater Orlando Assis, acrescentando. A atividade envolve cerca de 120 produtores. ''A camomila é vendida desidratada para diferentes fins como extração de óleo e indústria de cosméticos, mas o grosso da produção é para chá'', explica ele.
O início do cultivo da camomila em Mandirituba, há quase 100 anos, foi o ponto de partida para que o Paraná se tornasse o maior produtor de plantas medicinais, aromáticas e condimentares cultivadas do País. Pelo menos, na memória do empresário e agricultor Estefano Dranka, 52 anos, considerado o maior produtor do setor no Estado. ''Houve uma empresa de chá que se instalou lá, há cerca de 50 anos, e estimulou o cultivo comercial da erva na região. A camomila se adaptou muito bem ao nosso inverno, assim como outras espécies trazidas pelos imigrantes europeus'', conta. Ele planta a erva em 125 hectares, no município de Campo Largo, onde fica a sede da sua empresa, a Chamel.
''O potencial de plantas nativas no Paraná também é grande. Só em Campo Largo temos 38 espécies catalogadas, como o guaco, espinheira-santa e chá-de-bugre'', completa Dranka. Há 15 anos, o produtor entrou no mercado de plantas medicinais e aromáticas e, hoje, já trabalha com 120 espécies, cuja produção é destinada para o comércio nacional. A Chamel comercializa essas ervas em sachês, pacotes, chás in natura e suplementos em cápsulas. O excedente é vendido para indústrias de transformação de medicamentos.
As três espécies que a empresa de Dranka trabalha em grande escala são camomila, ginkgo biloba e espinheira-santa. Da primeira, que tem um ciclo de vida de três meses, foram produzidas 27 toneladas em três colheitas, neste ano. O produtor também fala com carinho dos 30 mil pés de ginkgo biloba que aprendeu a cultivar sozinho, assim como dos 100 hectares de espinheira-santa, nos municípios de Araucária e Inácio Martins.
''Só colho as folhas a partir de março, quando estão prestes a cair e quase amarelas, porque é quando a ginkgo biloba concentra o teor máximo de nutrientes. Esse é um dos fitoterápicos mais consumidos no mundo. Ainda importamos mais de 90% do que é consumido no Brasil'', informa Dranka. ''Já a espinheira-santa tem uma procura grande porque é uma espécie em extinção no seu habitat natural. Faço a colheita em janeiro e depois em julho'', ensina. A tradição no cultivo da camomila, inclusive, possibilitou que o engenheiro agrônomo da Emater, Cirino Corrêia Júnior, caracterizasse e publicasse uma variedade da planta chamada Mandirituba, em 1995.


