Para otimizar a criação, o agropecuarista José Tieo Takahashi aproveitou a mesma estrutura utilizada na produção do Simental, adaptando apenas o tamanho dos piquetes, que são rotacionados a cada 21 dias para quebrar o ciclo dos vermes. Todos os piquetes são interligados por um corredor de terra para facilitar o manejo dos animais. ''Os animais são tão dóceis, que mulheres e crianças podem conduzir sozinhas um rebanho'', aponta o criador.
Ele conta que os galpões de confinamento também foram remodelados para receber as ovelhas e carneiros durante a noite e em dias de chuva. ''Os animais são soltos no pasto durante o dia, mas à noite são recolhidos para um local mais quente para prevenir a pneumonia'', explica o ovinocultor.
Para evitar o contato direto dos animais com o chão frio dentro do confinamento, Takahashi construiu uma estrutura de ripas removíveis, que são limpas com água sanitária e lança chamas a cada 60 dias. O resto das fezes dos animais são recolhidos e utilizados como adubo na produção de três alqueires de napier.
Na região de Londrina, o quilo da carne de cordeiro é comercializado a até R$ 15,00. Takahashi ressalta que outras partes do animal podem ser aproveitadas, como a tripa, cuja unidade é vendida a R$ 3,00. ''A pele do cordeiro também pode ser vendida por um preço que varia entre R$ 15,00 e R$ 25,00. O principal destino é a produção de rolos para pintura'', assinala. Para obter um maior volume antes da comercialização, o criador congela as tripas e salga as peles na própria fazenda.
Outro subproduto dos ovinos é a lã. O preço, segundo Takahashi, varia conforme cotação internacional e hoje, o quilo gira em torno de R$ 2,50 a R$ 7,00. ''Nos anos de preço ruim, como ocorreu em 2004, a lã serve de pagamento para os processos de tosquia e casqueamento, que são realizados uma vez ao ano por um profissional especializado'', afirma.
Como não possui um frigorífico próprio, Takahashi não consegue aproveitar os miúdos do cordeiro, como fígado e coração, que são queimados para não poluir as reservas de água da propriedade. De acordo com o agropecuarista, o abate ocorre em um frigorífico de Ibiporã (14 km a leste de Londrina), mas os cortes e a embalagem são feitos na própria estância. ''Adaptamos um trailer que antes transportava cavalos para poder levar os animais para o abate. Em época de exposição, o mesmo veículo serve de moradia para o funcionário que cuida das ovelhas'', conta. (M.G.)

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