Saúde de Londrina usa fitoterápicos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de maio de 2005
Célia Guerra<br>Reportagem Local 
Em Londrina, a Secretaria de Saúde possui um programa de uso de medicamentos fitoterápicos. Implantado no segundo semestre de 2003, ele está em uso em 14 postos de saúde os 13 da zona rural e em apenas um da zona urbana (Jardim Eldorado, zona leste). O médico Rui Diniz, especialista em fitomedicina e coordenador do programa, informa que, na produção de medicamentos, estão sendo utilizadas 19 plantas, a maioria delas conhecidas da população como guaco, camomila, quebra-pedra e confrei. Entre os remédios de uso interno e externo estão xaropes, cápsulas, gel, loção, pomadas. Os medicamentos são produzidos pela farmácia de manipulação do programa, sob prescrição médica.
Pelo programa, de acordo com Diniz, foram treinados funcionários, enfermeiros e médicos desses postos de saúde. Com a população o trabalho se voltou a palestras de esclarecimentos e distribuição de folders explicativos sob o uso correto dessas plantas. ''Plantas medicinais devem ser tratadas como medicamentos e, se usadas de forma errada, também fazem mal à saúde'', alerta.
Diniz afirma que a aceitação dos fitoterápicos é progressiva e eles têm sido utilizados como tratamento complementar à medicina tradicional. ''O custo é mais baixo, e têm menos efeitos colaterais'', observa. A escolha dos postos de saúde da zona rural para o início dos trabalhos é devido ao perfil mais receptivo dessa população. Já os médicos, na opinião do coordenador, são a base para o sucesso do programa, mesmo admitindo que ainda há um certo receio na prescrição dos fitoterápicos. ''A cada mês tem crescido a produção dos medicamentos manipulados. Os médicos se convencem quando comprovam a eficácia desses remédios'', comemora.
Cuidados na adoção Mesmo com a eficácia comprovada, Diniz alerta que é preciso separar o que é ciência da cultura popular. ''A cultura popular é a base para a fitoterapia, mas traz também muitos 'milagres''. Ele cita plantas, como a erva-de-santa-maria, aveloz e arruda, que, pela ciência, podem fazer mal. ''É melhor não usar'', pondera. Ele destaca que a fitoterapia é a forma mais antiga de medicina que se utiliza de conhecimentos tradicionais para o uso de plantas medicinais. A fitomedicina, por sua vez, é a fitoterapia baseada em conhecimentos científicos.
Diniz aponta ainda alguns cuidados no uso de fitoterápicos. São informações que constam nos folders distribuídos para a população: não fazer uso do que você não conhece; não utilizar plantas de beira de estrada e contaminadas por agrotóxicos; evitar o uso de fitoterápicos em gestantes, crianças menores de 1 ano e em pacientes portadores de doenças crônicas (diabetes, hipertensão, epilepsia, doenças renais, hepáticas) salvo sob orientação médica; e não substituir remédios sem orientação médica.


