Apesar de ser proveniente da Ásia, a laranja foi trazida ao Brasil pelos portugueses e se adaptou muito bem às condições locais de clima e solo. Porém, mesmo com a boa adaptação, os cuidados com a cultura são fatores primordiais para o bom desenvolvimento dos pomares.
Eduardo Fermino Carlos, pesquisador da área de biotecnologia do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), observa que a melhora dos preços da commodity em 2010 fez o produtor aumentar os investimentos em insumos nos pomares. Por conta disso, a produtividade desse ano deverá ser maior, na opinião do especialista.
Carlos diz que o Paraná tem em algumas regiões exemplos de qualidade e produtividade, sendo até mais tecnificadas do que São Paulo e com um clima mais propício para a atividade. Na região de Paranavaí e leste de Londrina, por exemplo, a pequena variação de temperatura entre o dia e a noite permite que a fruta acumule açúcares durante o seu desenvolvimento, tornando-a ideal para produção de suco. ''Já em região com grande oscilação de temperatura, mais ao sul do Estado, a fruta fica com a casca mais amarelinha e brilhante, boa para mesa'', explica o pesquisador.
Carlos aponta que além do clima, o tipo de solo do norte do Paraná, rico em basalto (terra roxa) é mais fértil do que o Arenito, predominante nos pomares paulistas. O pesquisador esclarece que os índices de infestação do cancro cítrico e greening é quase zero no Estado, chegando a uma margem de 0,03%. O índice é resultado do grande controle fitossanitário exercido nos pomares, por meio do controle de pragas e doenças, critérios exigidos pelas cooperativas.
Melhoramento genético
A inserção de pomares de laranja no Estado só aconteceu por meio de grandes estudos de seleção de plantas que se adaptaram às condições de clima e solo. O Iapar teve grande participação no sucesso de implantação da citricultura paranaense, que contou com os esfoços do pesquisador Luiz Vieira. Atualmente, o instituto conta com 390 novas variedades de citros que estão sendo analisadas para, possivelmente, serem implantadas nos pomares paranaenses.
Os testes deverão terminar em 2012. De acordo com Carlos, foram importadas plantas do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) para serem testadas aqui. O objetivo é melhorar as opções dos produtores e encontrar variedades mais produtivas. Outro estudo do Iapar que nunca saiu da estufa é o do melhoramento genético das plantas.
Desde 2000, Luiz Vieira iniciou um trabalho de engenharia genética voltado para a laranja. Em estufa, o pesquisador desenvolveu plantas tolerantes à seca. O que poderia ser chamado de pomar transgênico, nada mais é do que a inserção de um aminoácido no porta-enxerto (raiz da planta) que a própria natureza produz. O fruto, por si só, não é transgênico porque, segundo Vieira, na copa da planta é utilizada uma varidade comum, originando um fruto comum.
Porém, ele enfatiza que ainda não houve investimentos por parte do governo do Paraná no fomento de estudos mais detalhados em campo. As plantas estão em uma estufa na sede do Iapar em Londrina, onde os primeiros testes foram satisfatórios. (R.M.)

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