Sanidade nas mãos do produtor
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sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Ricardo Maia <br> Reportagem local 
Nunca a saúde das lavouras paranaenses esteve tão bem. Há tempos que o Estado não enfreta uma incidência severa de uma determinada doença, como ocorreu em 2001, ano em que os produtores de soja foram surpreendidos pela ferrugem asiática. Nessa época, centenas de hectares no Paraná foram perdidos. Hoje, é difícil dizer o que causou a disseminação dessa doença. Porém, com a experiência, o agricultor aprendeu que medidas preventivas, como a realização de um manejo adequado, são a receita de uma lavoura sadia.
O manejo, não serve só para prevenção de doenças da soja, mas para todas as culturas. Além dessa ferramenta, a engenharia genética vem trabalhando para colocar no campo variedades mais resistentes às doenças. Porém, a implantação de um manejo adequado no pré-plantio e no pós-colheita, continua sendo a receita do agricultor paranaense. Junior Zampar, produtor da região de Londrina, aprendeu que a a falta de cuidados com a terra pode atingir diretamente o bolso do agricultor.
Nesta safra, por exemplo, Zampar chegou a perder 20% de sua produção de trigo com doenças. ''Passamos o fungicida tarde demais'', conta o produtor. Em 120 hectares de área plantada, Zampar deve colher apenas 2,9 mil sacas. No ano passado, quando a sua lavoura não foi atingida pela mancha amarela e também pela helmintosporiose, sua produção foi de 4,5 mil sacas.
''O prejuízo já foi contabilizado, agora é seguir em frente'', afirma o produtor. Com o trauma do trigo já superado, Zampar já iniciou os preparativos para o plantio da safra 2011/12. No próximo ciclo, ele deve plantar 164 hectares de soja, 84 hectares a mais do que no ciclo anterior e 19 hectares de milho.
No ano passado, o produtor conta que houve focos de ferrugem em sua soja. Nesse período, Zampar revela que o excesso de chuvas não o deixou realizar o tratamento completo das sementes e do solo. Para ele, o tratamento sanitário incompleto foi a porta de entrada para o aparecimento da ferrugem. ''Nesse ano, vou fazer o tratamento total de minhas sementes, para não ter novamente problemas com doenças'', afirma.
Zampar destaca que, além do tratamento com fungicidas, o produtor deve priorizar a rotação de cultura. ''Com essa técnica, além de prevenir doenças, aumenta a fertilidade do meu solo'', sublinha. O agricultor conta que há cerca de três anos, teve um alto índice de infestação por ferrugem em sua soja. Ele confessa que nesse período, não tinha realizado o tratamento total de sementes com fungicida. Para completar, também não fez rotação. ''Resultado: não me lembro a quantidade, mas perdi boa parte da minha produção'', destaca.
Cláudia Vieira Godoy, pesquisadora da Embrapa Soja, em Londrina, afirma que muitas doenças que atingem as lavouras de soja, por exemplo, provêm das sementes. Por causa disso, assegura a especialista, a aplicação de fungicidas nas sementes é um item obrigatório. ''O produtor deve acompanhar a lavoura desde a germinação'', explica.


