Levantamento da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) aponta que 925 milhões de pessoas passam fome atualmente no mundo. Deste total, 53 milhões estão localizadas na América Latina e Caribe. Ao mesmo tempo em que a FAO aponta a evolução da agropecuária brasileira como uma das principais armas no combate à fome, a situação sanitária nacional preocupa especialistas da área devido a necessidade de o setor acompanhar o ritmo acelerado do crescimento da produção.
O representante da FAO no Brasil, Helder Muteia, afirma que é responsabilidade do Brasil continuar apostando na produção de alimentos e partilhar seus modelos de produção com países mais carentes da África, Sul da Ásia e América Latina. Mas o professor de medicina veterinária preventiva da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Amauri Alfieri, alerta que o Brasil depende de investimento público e, consequentemente, de decisões políticas, para garantir a manutenção do crescimento da produção e das condições necessárias para adotar ações imediatas em caso de algum problema sanitário. ''Se você me pergunta se estamos preparados para agir nesses casos, eu digo que não, precisamos de mais investimento, tanto da União como do Estado. Não estamos em condições ideais para sermos o chamado 'celeiro' do mundo. Em defesa sanitária animal nós temos que investir muito ainda'', avalia.
O médico veterinário da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Celso Fernando Dias Doliveira, afirma que a entidade está preocupada com a falta de investimento do Governo Federal na sanidade animal. Com o intuito de solucionar o problema, a Federação propôs a criação da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), que prevê agilidade de independência administrativa e financeira em relação à máquina pública e o aumento de infraestrutura necessária para melhoria do serviço no Estado. ''A questão da sanidade animal exige respostas rápidas e a Agência vai propiciar maior eficiência nesse setor. A Adapar, com seu novo formato de gestão, deve criar condições para que o agronegócio responda rapidamente às ameaças sanitárias'', afirma.
O relatório ''O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo - 2011'', divulgado em outubro deste ano pela FAO, ressalta que o investimento agrícola ainda é a melhor maneira para garantir a segurança alimentar sustentável a longo prazo. Segundo a FAO, a alta e volatilidade dos preços, o crescimento e envelhecimento populacional, a escassez de água, as mudanças climáticas, degradação dos solos, crescimento da demanda, novos hábitos alimentares, busca por biocombustíveis, globalização do comércio, crescente preço dos combustíveis e urbanização são fatores que afetam drasticamente o combate a fome. A América Latina e o Caribe enfrentam preços de alimentos 40% superiores que há quatro anos, sendo a maior volatilidade registrada nos últimos 30 anos, revela o Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional na América Latina e o Caribe 2011, da FAO.
''Uma solução sustentável [para a segurança alimentar] só virá com a participação dos países mais pobres e as políticas públicas que deram certo no Brasil poderão também dar certo nesses países'', afirma Helder Muteia, que participou do Fórum Inovação - Agricultura e Alimentos para o Futuro Saudável, realizado em São Paulo, em outubro. Ele argumenta que as questões de sanidade animal são importantes pelo aspecto nutricional, sanitário e também por razões econômicas, lembrando que muitas doenças são transmitidas de animais para o ser humano e podem causar perdas econômicas incalculáveis para os produtores. ''No caso da sanidade animal, a FAO trabalha em estreita colaboração com a Organização Internacional da Saúde Animal (OIE). Os países têm as suas obrigações nas doenças de declaração obrigatória, como a febre aftosa por exemplo. Além de reportar, devem tomar todas as medidas recomendáveis e pedir ajuda internacional se for necessário'', esclarece o representante da FAO no Brasil.

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