Salão de baile para festejar a vida e a produção
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sábado, 19 de dezembro de 2009
Erika Zanon<br>Reportagem Local 
Quem visita o Sítio São Francisco, localizado na área rural de Rio Azul, não imagina que nem sempre o local foi alegre, colorido e com produção diversificada como agora. Nem passa pela cabeça que não existiam pés de morango espalhados pela área, muito menos pés de amora que ficam carregados nesta época do ano.
Os simpáticos morados do local, Verônica e Leocir Mangoni, contam que a colheita do morango já está no fim, mas ainda é possível encontrar um ou outro nos pés, que já ficaram bem mais recheados e vermelhinhos. Agora são as amoras que estão no auge, relatam. E na propriedade ainda tem muito mais. De uva a pêssego, de tomate a brocólis, muito se cultiva nessas terras que antes davam lugar à produção de fumo. Quando a gente começou com o fumo, ainda na década de 80, achava que era um grande negócio, resume, pra logo em seguida contar o que fazem de bom agora.
Depois de idas e vindas, trabalhando com a fumicultura, há uns quatro anos abandonaram de vez a atividade para dar asas a um gosto que sempre os acampanhou: a produção de alimentos. A gente já plantava uma coisinha ou outra para consumo próprio, mas usava agrotóxico. Agora não mais. Produzimos para nosso consumo e também para vender, tudo de forma ecológica e muito saudável, diz Mangoni, que há mais de cinco anos frequenta cursos sobre o assunto e visita outras propriedades agroecológicas para entender melhor a atividade.
Estudei muito antes de abandonar o fumo e ficar só com a produção agroecol-ógica, afirma, destacando que com a ajuda de uma planilha da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) da região, conseguia colocar lado a lado as despesas e os lucros com o fumo e com a produção de alimentos. A atividade agroecológica era mais rentável, revela, dizendo que por ano alcançava entre R$ 4 mil e R$ 6 mil de lucro com o fumo; e uma única safra de morango chegava a render R$ 12 mil.
Fora isso, o agricultor ainda correu atrás de apoio para a produção e vendas. Além de aderir ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), tem mais de 50 clientes cativos, para os quais faz entregas em domicílio duas vezes por semana. Tem gente que vai buscar direto na propriedade, faz questão de colher o que vai levar. Nossa vida mudou completamente. Antes, eu vivia toda semana no médico. Agora, faz mais de três anos que eu não sei o que é ter uma gripe, diz Verônica, comparando as fases da vida.
A propriedade, como comentam os próprios agricultores da região, é uma referência na atividade ecológica. Mas não só. É também ponto de encontro dos agricultores da região, todos os sabádos à noite. Verônica e Mangoni decidiram há cerca de um ano transformar a antiga estufa que servia para secar as folhas de fumo em um salão de eventos. Tem baile e jantar todo final de semana. É uma festa, vem adulto, criança, todo mundo, conta Mangoni. Cada pessoa paga R$ 5 pelo jantar, que é preparado com os produtos cultivados no próprio local. Verônica comenta que antes, quando produziam fumo, trabalhavam noite e dia e não tinham tempo conhecer e conversar com os amigos. Agora, a gente pode se confratenizar. Agora, a vida é diferente.


