Saindo “debaixo da lona” para a produção leiteira
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sábado, 28 de setembro de 2019
Victor Lopes - Grupo Folha
Élia Aparecida Moreira chegou há sete anos no assentamento Eli Vive II , como ela mesmo diz, apenas com a “cara e a coragem”. Debaixo da lona, junto com o marido Gilmar Laurindo Rodrigues, começou a produzir: primeiro um tanto de milho safrinha, depois batata, fomentando aos poucos a comercialização e criando raízes na terra - que mais para frente se tornaria uma propriedade de 3,5 alqueires.
A produtora recebe a reportagem com um pouco de timidez. Agora, a casa de alvenaria já está de pé, e na cozinha nos serve um café enquanto a conversa começa a ganhar ritmo. “Só tenho a agradecer a Deus, são muitas bênçãos, e no assentamento tudo está muito bom. Aqui dá para crescer e nós vamos crescer”, salienta ela, sem medo de mostrar sua satisfação de morar ali.
Hoje, na propriedade regularizada, além de Élia e o marido Gilmar, vivem os dois filhos, um de 8 e outro de 17 anos, e a nora. Quando foram propostos a ela os recursos do Fomento Mulher, a ideia foi seguir um trabalho que seu pai e seu sogro já fazem num assentamento próximo a Guarapuava, com a bovinocultura de leite. “Começamos há três anos com duas vacas. Como a verba é pouca, vamos comprando os animais aos poucos”, explica.
Com o recurso liberado no final do ano passado, a família conseguiu comprar duas novilhas para aumentar o plantel, que agora totaliza seis vacas e oito bezerros. Para que isso aconteça, as veterinárias do Instituto Emater que acompanham as propriedades de leite dos assentamentos reuniram as produtoras para dar orientação sobre a compra desses animais, pensando no porte, casco, vacina da brucelose feita, tudo controlado e registrado pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), entre outras exigências. O objetivo é que o recurso público não vá para o brejo, com a morte prematura dos animais.
Com a produção atual de leite na propriedade, a família ainda não consegue comercializar com a Copran, de Arapongas, que exige um volume maior do produto. Durante o inverno, a produção ainda é baixa: cerca de 12 litros por dia na propriedade. Entretanto, já tem ajudado a integrar a renda familiar. “Os vizinhos começaram a nos procurar e vendemos a R$ 1,50 o litro. Temos aqui próximo da propriedade um resfriador (para entregar na cooperativa) e esperamos que em breve já começamos a produzir para eles.”
Na propriedade, a estrutura para alimentar os animais na mangueira já está de pé. Outro sonho de Élia é que a ordenha passe de manual para automática em pouco tempo. “Acredito que precisamos de mais verba para a gente chegar lá. Se o Incra conseguisse liberar mais recursos tenho certeza que conseguimos evoluir cada vez mais. Precisamos de mais animais e melhorar a alimentação delas. Se chegamos a dez vacas leiteiras produzindo bem, já está bom demais!”
Além do manejo do lote, o casal ainda trabalha fora para incrementar a renda. O marido faz diárias em outras propriedades enquanto Élia atua na monitoria do transporte escolar dentro do assentamento. “Aqui na propriedade, também produzimos arroz, mandioca, milho e feijão para o nosso consumo.”
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