Dorico da SilvaReduçãoSilva, da Assuinopar, na granja vazia em razão da crise que vem desde 95A contratação de 100 veterinários para os serviços de fiscalização e inspeção de produtos de origem animal, pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), é um começo para mudar a situação da suinocultura no Estado. Com a criação de barreiras sanitárias espera-se não só controlar e erradicar a febre aftosa nos bovinos e ampliar o mercado externo, mas também beneficiar a suinocultura. É importante que se faça também o controle da peste suína clássica, que ainda impede que o Estado faça a exportação da carne para vários países e restringe o mercado interno.
Há mais de três anos o Estado não tem foco de peste suína e precisa voltar a exportar. ‘‘O Estado e o País têm um plantel de excelentes condições sanitárias, tecnificação, genética e sanidade para garantir um produto industrial.’’ A garantia é do chefe do Departamento de Defesa Sanitária Animal da Seab, Felisberto Queiroz Baptista.
Baptista afirma que a Seab e o Ministério da Agricultura estão empenhados em conseguir para o Estado o reconhecimento de que a peste suína clássica não é mais impedimento para exportar carne suína produzida no Paraná. ‘‘Prova disso é a contratação desses 100 de técnicos’’.
ReduçãoEm 96 o Paraná possuía um rebanho de 3 milhões e 986 mil cabeças, e abatia (sob fiscalização) 2 milhões e 498 mil cabeças. Em 97 houve redução do plantel para 3 milhões 950 mil cabeças e um abate estimado (ainda falta completar dados de dezembro) de 2 milhões e 400 mil cabeças. Produtores e técnicos afirmam que a redução deve-se a falta de estímulo para a produção e a falta de perspectivas de exportação, o que seria um atrativo a mais para sustentar a atividade.
De acordo com o veterinário do Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab, Guilherme Oscar Richter, a liberação da exportação da carne suína depende, além da fiscalização eficiente contra a peste suína clássica, de exames de sorologia que comprovem a sanidade do rebanho estadual.
Abertura de mercadoEstes exames são feitos com reconhecimento da Organização Internacional de Epizootias (OIE), com sede em Paris, que trata também do reconhecimento de áreas livres de febre aftosa nos bovinos. Mesmo sendo um processo demorado, abre mercado para os países importadores mais exigentes como o Japão, Ásia e toda a Europa.
Richter acredita que, antes disso, é importante para o Paraná derrubar as barreiras comerciais internas, com a venda de produtos para outros Estados e países do Mercosul, o que deverá impressionar os técnicos da OIE e facilitar o comércio exterior.
Falta vontadeO presidente da Associação de Suinocultores do Norte do Paraná (Assuinopar), José Luiz Vicente da Silva, acredita que somente a liberação da exportação da carne suína poderá salvar o setor da crise que enfrenta desde 1995, quando começou a redução dos plantéis e até a desistência de muitos produtores pela atividade. ‘‘O alto custo de produção em função dos preços dos insumos básicos (milho e farelo de soja) e a falta de mercado desestimulou os suinocultores.’’
Com a demora na instalação das barreiras sanitárias e a falta de incentivos através de financiamentos, Silva afirma que fica difícil prever como será o ano de 98 para o setor suinícola. No Paraná os suinocultores têm uma associação estadual, com sede em Curitiba, e mais três entidades regionais representativas, a de Arapongas, uma em Francisco Beltrão e outra em Toledo.
Mesmo assim, afirma Silva, ainda não se conseguiu ‘‘vontade política do governo Estadual’’ para representar o setor também a nível nacional. Segundo Silva, há quase três anos os produtores estão pedindo a contratação de veterinários para a inspeção estadual, o que permitiria a instalação das tais barreiras sanitárias e a viabilização das sorologias (exames) necessárias para garantir a qualidade da carne e conquistar o mercado brasileiro e do Exterior.
Lucro achatadoO dirigente afirma que o plano econômico de 97 achatou o poder de lucro do produtor. O governo Federal, segundo ele, no ano passado adotou a ‘‘política do frango’’, barateando a carne para consumo. ‘‘O suinocultor não tem nada contra o produtor de frango. Pelo contrário, em muitos momentos somos até parceiros. Mas deveria haver uma política em que todo o segmento produtivo de carne ganhasse.’’
Rio Grande do Sul e Santa Catarina montaram barreiras sanitárias com o Paraná, porque estão pedindo a liberação de área livre da peste suína. Mas o pedido à a OIC ainda não foi feito. A diferença com o Paraná é que o Estado nem ao menos montou suas barreiras.
IncentivosSilva garante que a partir desses incentivos os suinocultores teriam condições de triplicar a produção mediante a necessidade de mercado. O Estado tem 30% de alojamentos vazios. O setor está carente de financiamentos para instalações, ao contrário do que aconteceu com a avicultura em 97, quando houve incentivos a juros baixos para os produtores.
Silva afirma que os produtores estão aprimorando seus rebanhos, usando genética para melhoramento de carcaças, com objetivo de conquistar o mercado europeu. Há muitas granjas especializadas em reprodução onde se faz aprimoramento de carcaças através dos cruzamentos. Antes se tinha animais puros na reprodução, hoje existem os híbridos, animais industriais para abate.
PreconceitoO diretor do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarne), Péricles Salazar, conta que o problema da exportação da carne suína começou em 1978, quando ocorreu um surto de peste suína africana; ‘‘doença que hoje não existe mais.’’
De lá para cá foram poucas as oportunidades, em todo o País, de exportar a carne suína. Primeiro pelo preconceito após a ocorrência da doença e, depois, pela dificuldade comercial imposta por países que querem proteger seus rebanhos. Hoje, na opinião de Salazar, a questão da exportação é apenas de preconceito e não mais de qualidade ou sanitária.
EmpenhoA exemplo de Silva, da Assuinopar, Salazar acredita que falta mais ‘‘agressividade’’ e empenho por parte dos canais diplomáticos do Brasil nas negociações para a exportação da carne suína.
De acordo com dados do Sindicarne, em 97 foram exportadas 100 toneladas de carne suína para Hong Kong e outras localidades da Ásia. Mas o que se quer é vender na Europa, para a União Européia, como se vendia há 20 anos. O Paraná já vendeu muito para a Argentina. Também é possível encontrar novos mercados. ‘‘Hoje existe possibilidade de vender para a Rússia’’, afirma Salazar.

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