De acordo com os pesquisadores da Embrapa-Cerrados, em Brasília (DF), Austeclínio Lopes de Farias Neto e Renato Amabile, resultados extra-oficiais indicam que a área de cultivo do girassol neste ano foi ampliada de 30 a 40 mil hectares (ha), contra os 15 mil ha cultivados na safra de 96 em todo o Brasil. Mesmo que os números sejam confirmados, a área de cultivo ainda fica bem longe da exigência do mercado interno para a produção de óleo do girassol, na ordem de 700 mil ha.
Farias Neto acredita que a expansão da área deu-se, também, em função do uso do girassol para a produção de silagem destinada à alimentação animal. Esta intensificação, afirma o pesquisador, está acontecendo no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. ‘‘Temos encontrado muita gente animada para a produção de silagem do girassol’’, relata Farias Neto.
O pesquisador destaca: ‘‘Para prevenir a ocorrência e minimizar os danos causados por doenças, é importante que o produtor observe a época correta de plantio.’’ É Caso do Paraná, por exemplo, onde o recomendado é fazer somente a safra normal, entre final de julho e começo de agosto.
Bom alimentoDados da Embrapa-Cerrados indicam que a silagem do girassol resulta em boa produção de matéria seca e alimento de qualidade a ser fornecido aos animais. De acordo com Farias Neto, também a safrinha, no caso do Cerrado, pode ser usada para ensilar.
Os pesquisadores recomendam a cultura como safrinha somente na região do Cerrado porque, além de mercado certo para a óleo, existe a possibilidade do uso como silagem ou farelo na alimentação animal e, ‘‘o mais importante’’, na região não há ocorrência de doenças preocupantes para a cultura nesta época do ano.
Custos de produçãoComo cultura principal, no cultivo tradicional, o custo variável de produção fica em R$ 183,00-ha e o custo total em R$ 245,00-ha. Cultivado como safrinha, o girassol mantém a paridade entre os custos total e variável, ficando este último em torno de R$ 160,00-ha. Mas, é importante que o produtor faça adubação correta, especialmente com o boro, para que haja bom rendimento na produção,
‘‘A adubação deve ser feita com base em análise do solo, no tocante ao fósforo e potássio, aplicando-se em torno de 60 kg-ha por nitrogênio e cerca de 30 kg de borax, pois o boro é fundamental para o girassol. Adubação com boro pode ser feita via foliar ou na base’’, avisa o pesquisador.
Para cobrir os custos totais, o produtor deverá obter um rendimento na faixa de 1.600 quilos (kg) por ha. No caso dos custos variáveis, a produção deverá ser de 1.100 kg-ha. Apesar de tolerante à seca, o girassol é uma planta que responde bem quando irrigada. Em campos experimentais já foi possível conseguir rendimento de 4.600 kg/ha. O importante é que o produtor fique atento ao uso correto de cultivares indicadas pela pesquisa para a região onde irá plantar.
Ao fazer o plantio o produtor deve, segundo recomendação dos pesquisadores, mesmo quando cultura de safrinha, fazer a incorporação dos restos vegetais, a aração a 30 centímetros de profundidade com arado de discos e aiveca, sendo o segundo mais eficiente. Com estes procedimentos correm-se menos riscos de incidência de pragas e doenças, além de aumentar a capacidade de captação e retenção de água, dimunindo a captação do solo.
Ao se optar pelo plantio direto, recomenda-se que seja verificada a existência de camada compactada do solo, além da acidez, pois o girassol é sensível à oxidez, o que pode levá-lo a um menor crescimento, menor resistência à seca e ao acamamento, comprometendo a produção de graõs.(C.B.)

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