Safrinha é maior que safra de verão
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sexta-feira, 26 de setembro de 2003
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Pela primeira vez o plantio de milho na safra normal será menor que o plantio da safrinha, uma situação ''impensável'' no Paraná anos atrás. O último relatório do Deral aponta uma redução ainda maior no plantio do milho na safra 2003/2004, que começa a ser plantada.
A redução prevista era de 8% em relação ao plantio da safra passada. De acordo com o último levantamento, essa redução já é de 9,7%, devendo ser plantados 1,33 milhão de ha no Estado. Na safrinha deste ano, foram plantadas 1,36 milhão de ha.
As cooperativas acreditam que a redução de plantio pode ser ainda maior, uma vez que muitos produtores que ainda não compraram os insumos para o plantio podem mudar na última hora, disse o assessor econômico da Ocepar, Flávio Turra. Analistas de mercado, chegam a afirmar que a redução do plantio do milho este ano pode atingir até 15% em relação à safra passada.
De acordo com a previsão do Deral, a produção de milho da safra 2003/2004 deverá ser de 7,2 milhões de toneladas, que corresponde a uma redução de 13,7% em relação à safra anterior. No relatório do mês passado, a redução prevista era de 12%, comparou a engenheira agrônoma, Vera da Rocha Zardo.
Se for confirmada essa produção, ela será insuficiente até para atender as necessidades de consumo interno do Paraná, disse a técnica. Segundo ela, só a pecuária e a indústria paranaenses consomem 7,5 milhões de t/ano. Portanto, para completar o abastecimento interno e ainda sobrar produção para outros estados e para a exportação, o Paraná vai depender do resultado da safrinha do ano que vem.
Ocorre que o desempenho da safrinha é mais sujeito a riscos do que a safra normal, em função da instabilidade do clima. A queda no plantio de milho é geral no País, porque os preços da soja estão mais atraentes. Para Vera, uma temeridade o abastecimento de milho ficar dependente da safrinha. Mas reconhece que é impossível convencer o produtor a plantar milho, diante das condições atuais de mercado, que remunera mais e dá liquidez à soja.
Conforme análise de Vera Zardo, historicamente o milho sempre apresentou baixa liquidez e as vendas eram restritas à pecuária, já que é o principal insumo desse setor. Com isso, os preços no mercado interno, até a safra 2000/2001, dependiam do volume de demanda criado pela avicultura e suinocultura.
''Nesse meio tempo não houve uma política nacional que garantisse o abastecimento do cereal, tampouco um acordo entre o setor produtivo e o setor pecuarista acerca de um preço justo para ambas as partes'', lembrou a técnica. Para agravar a situação dos produtores, antes da desvalorização cambial, em caso de redução na produção, o milho argentino poderia ser facilmente internalizado.
Diante dessas incertezas, o preço do milho permanece numa gangorra. ''Em ano que sobra milho, o preço despenca. Quando falta o milho, o preço estoura'', afirmou. Diante desses riscos e do acúmulo de perdas nos últimos anos, o produtor vem optando pela soja no Paraná, situação que vem provocando seguidas reduções de área no plantio da safra normal, justificou Vera Zardo.


