Safrinha determina preços
Na Cocamar Cooperativa Agroindustrial, de Maringá, a lavoura de milho verão corresponde a 2% da área agrícola da cooperativa, somando menos de 10 mil hectares, com destaque para as regiões de Apucarana, com 2,3 mil hectares cultivados, e São Sebastião da Amoreira, com 2,5 mil hectares. Já a soja ocupará 670 mil hectares, devido à sua importância econômica.
"Cada vez mais o produtor tem apostado em milho segunda safra e diminuindo a área de verão, devido aos riscos climáticos de nossa região", justifica o coordenador técnico de Culturas Anuais da Cocamar, Emerson da Silva Nunes, ressaltando que o cultivo de milho verão não é representativo para a cooperativa, tanto para a definição de preços quanto para o recebimento e comercialização da produção.
Segundo ele, cerca de 40% do milho da safrinha 2013/14 já foram vendidos e com isso a Cocamar tem capacidade suficiente para armazenar o grão que será colhido até abril de 2015. "A Cocamar está adotando diversas estratégias para suprir a necessidade de armazenagem da próxima safra. São estratégias comerciais, em que o agricultor tem opção de vender a produção antecipadamente ou durante a safra, disponibilizando, desta maneira, maior espaço de armazenagem", explica.
Nunes reforça que a produção da safrinha é determinante na formação de preços do grão. "Segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a área de milho segunda safra já é maior que a área de primeira safra nas regiões produtoras do Brasil e isto influência diretamente nos preços."
Para o coordenador, a qualidade dos grãos que serão colhidos depende, além da escolha dos híbridos, de fatores climáticos que poderão ocorrer durante a safra. "Na safra anterior, devido à geada, tivemos diversos problemas", citou Nunes, lembrando que o uso de fungicidas na cultura do milho também tem influência direta na qualidade dos grãos. "Esta prática de manejo de doenças vem aumentando a cada ano, trazendo maior qualidade ao milho produzido no Estado."
Luiz Carlos Pedersoli é cooperado da Cocamar no município de Califórnia e destinou apenas 17 alqueires de uma área de arrendamento de 140 alqueires para o cultivo do milho de verão. Com cerca de 50 dias, a lavoura apresenta bom desenvolvimento graças à chuva que caiu na propriedade nos último mês. Se tudo andar como programado e o clima ajudar -, o agricultor espera colher cerca de 400 sacas de milho por alqueire na primeira safra.
"Resolvi destinar entre 10% e 15% do total da minha área para o milho como forma de rotação de culturas", diz Pedersoli, desanimado com o mercado do grão. Ele ainda acha os custos de produção muito altos. "O preço do milho precisava ficar entre R$ 27 e R$ 30 para cobrir o custo porque tenho que pagar o arrendamento", completa.
Sem desistir de investir em tecnologia de ponta, o produtor calcula ter aumentado em 5% seus custos com um maior número de aplicações de inseticida para o controle da lagarta. "Faço o melhor possível e aposto na ajuda do clima para correr tudo bem", finaliza. (M.G.)





