O milho safrinha está praticamente livre do risco de geada no Estado do Paraná, confirmando o que os analistas de mercado vêm chamando de ''safra cheia''. Sem quebra, a oferta do produto pressiona ainda mais os preços que já estão baixos.
Nas regiões de Ivaiporã, Apucarana e Campo Mourão produtores entregaram o produto a menos de R$ 13,00/saca esta semana. No Sudoeste do Estado - Pato Branco, Francisco Beltrão e Dois Vizinhos - os preços só não caíram muito porque há uma demanda contínua das pequenas granjas de suínos e aves e os produtores de milho não dependem da demanda industrial.
Mesmo assim os preços estão pelo menos 40% abaixo dos preços praticados no início do ano.
Para prejudicar ainda mais os preços aos produtores do Paraná, o Paraguai está ofertando milho às indústrias do Paraná a 90 dólares/tonelada.
Leilão - O principal fato da semana foi o leilão de contratos. O grande interesse pelos contratos de opção de venda de milho realizado pela Conab na terça-feira, mostra a preocupação dos produtores em fazer a defesa dos preços. Produtores e cooperativas pagaram ágio de até R$ 2.500,00 sobre os preços de abertura do leilão.
Para os analistas, isto evidencia a certeza do mercado - ou pelo menos dos produtores - de que os preços serão realmente baixos sem chance de recuperação. Quem tem milho estocado sabe que nas próximas semanas começa a ser colhida uma grande safra de inverno, talvez a maior das safrinhas e o setor não tem suporte para reter a produção à espera de uma reação dos preços.
Cerealistas e as próprias cooperativas estão prevendo uma queda significativa dos preços a partir de julho. É indisfarçável a falta de confiança nos organismos de manutenção dos preços e que dependam do governo, como financiamento de estoques e comercialização como EGF e AGF.
O governo não acena com esses recursos e quando eles são anunciados nunca chegam na hora certa e na amplitude necessária.
Sobre o leilão de contratos de opção de venda, realizado na terça-feira, o analista Camilo Motter, da Granoeste, de Cascavel, fez a seguinte observação: O interesse (das cooperativas e produtores) em vender o produto para o governo superou as expectativas o que fez com que o ágio pago pelos produtores superasse a casa dos 4.000%.
Na quarta-feira o quadro do milho no Paraná se mostrava mais otimista na análise da Granoeste. Segundo ela, grandes consumidores estão voltando lentamente ao mercado. Com isto, alguns lotes foram fechados com empresas da região e de Santa Catarina. No atacado, mercado de lotes, os preços giraram em torno de R$ 14,00 a saca, com pagamento pronta entrega. No Porto de Paranaguá, foram negociados bons volumes entre R$ 17,30 e R$ 17,50.

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