A safra de cana, aberta oficialmente no Paraná no início desta semana, será pelo menos 15% menor que a do ano passado. A previsão da Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Paraná (Alcopar) é de uma produção pouco superior a 22 milhões de toneladas de cana. O setor, no entanto, está otimista. O presidente da entidade, Anísio Tormena, que dirige uma usina na região de Paraíso do Norte (Noroeste), diz que a crise que o segmento atravessou nos últimos anos, aliada a problemas climáticos, está refletindo na produção atual. ‘‘Mesmo assim a cana vai movimentar R$1,2 bilhão no Paranᒒ, compara.
A previsão da Alcopar é que até o final da safra as 26 usinas afiliadas produzam juntas 950 milhões de litros de álcool e 1,280 milhão de toneladas de açúcar. ‘‘Estaremos até o final do ano gerando 75 mil empregos diretos, e o que é mais importante, a maior parte no campo, em regiões onde não existem mais lavouras que ocupem tanta mão-de-obra’’, lembra Tormena. Ele explica que depois da crise vivida pelas usinas, quando o preço do álcool não cobria o custo de produção, outros fatores podem impulsionar o crescimento da atividade sucroalcooleira.
VantagensA principal ‘‘vantagem’’ do Paraná, compara o dirigente da Alcopar, é a logística de distribuição implantada pelas usinas nas últimas décadas. Existem ainda fatores que sempre contribuíram, como o relevo para a ampliação do plantio de cana ‘‘e a disposição dos empresários do setor’’. Outra ‘‘conquista’’ não apenas da Alcopar, mas de todas as entidades do setor unidas, foi o fim do MTBE, um aditivo extraído do álcool que o governo pretendia adicionar ao álcool combustível. O produto chegou a ser largamente utilizado em alguns Estados, como o Rio Grande do Sul, mas começa a perder espaço para a mistura.
O aumento da mistura de álcool anidro à gasolina também é considerado um fator positivo para o setor. Por último, Tormena acredita em um impulso na montagem de veículos movidos à álcool, mesmo que para atender a chamada ‘‘frota verde’’, que seriam os carros oficiais de alguns Estados. ‘‘Todas as conquistas que voltaram a viabilizar o setor foram conseguidas a partir da união do setor’’, lembra Tormena. Os empresários apostam também em uma novidade para regular o mercado, o Conselho Paranaense dos Produtores de Cana-de Açúcar (Consecana).
Formado por representantes de todo segmento, o conselho já atua em outras regiões produtoras, mas não existia no Paraná. ‘‘O Consecana vai evitar a prática de preços fora da realidade, que acabaram afetando diretamente todas as empresas’’, explica o superintendente da Alcopar, José Adriano Dias da Silva. Ele lembra que até 1997 o governo, através dos órgãos ligados à agropecuária, tabelava os produtos do segmento sucroalcooleiro. ‘‘Sem a tabela oficial começaram os atritos entre as partes e a disparidade de valores dentro do setor’’, conta.
CustosApenas para comparar, Adriano cita que até na safra do ano passado o custo de produção de um litro de álcool era de aproximadamente R$ 0,30, enquanto as usinas vendiam o mesmo litro entre R$ 0,18 a R$ 0,20. ‘‘O setor sobrevive graças ao empenho dos empresários’’, garante Adriano. Com o conselho, as usinas tentam evitar este tipo de comportamento do mercado. Além dos usineiros ligados à Alcopar, o Consecana é formado também por produtores e representantes da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), e conta com o apoio da Universidade Federal do Paraná (UFPr).
Através da análise de preços dos sub-produtos do álcool no mercado, técnicos da UFPr sugerem os valores que devem ser praticados a nível de produção das usinas. ‘‘O preço da cana é indicado através deste procedimento’’, explica Adriano. Todos os aspectos do mercado são levados em conta, o que segundo ele deixa os valores ‘‘dentro da realidade’’. ‘‘Queremos evitar as discrepâncias enfrentadas pelo setor produtivo nos últimos anos, praticando valores que não prejudiquem nenhum segmento envolvido’’, diz.

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