"A gente colhe bem, vende razoável, mas a hora que as vê as contas, não sobra quase nada", lamenta Geraldo Casaroto sem perder as boas expectativas para a safra
"A gente colhe bem, vende razoável, mas a hora que as vê as contas, não sobra quase nada", lamenta Geraldo Casaroto sem perder as boas expectativas para a safra



Começo do mês de fevereiro e o WhatsApp da reportagem recebe uma mensagem interessante: "Vamos começar a colheita de soja e se precisar fazer fotos, pode vir, para nos dar sorte". A simpática conversa é com o produtor londrinense Geraldo Casaroto, que possui quase 500 alqueires de soja divididos em áreas pelos municípios de Londrina, Cambé, Ibiporã e Sertanópolis. Também chegou a hora da verdade para ele na colheita. Quem apostou na cultura já faz as contas em relação aos dividendos. Esta semana, acompanhamos de perto o rendimento das primeiras áreas de Casaroto.

Ali no distrito da Warta, a semana foi de apreensão. O "chove-não-chove" atrapalhou um pouco o momento de colocar as máquinas em campo. O tempo começou a firmar na quarta-feira (14) e com o clima mais seco o trabalho fluiu. "A produtividade vai ficar mais ou menos igual (ao ano anterior). Eu queria que superasse 2016/17, que fechou em 165 sacas por alqueire. Mas acredito que vamos produzir em torno de 150 sacas por alqueire. É uma boa safra. Mas é que no ano passado foi muito boa", compara Casaroto.



A resposta para essa queda de produtividade é simples: o clima foi bem oscilante. Ele cita que em janeiro teve alguma dificuldade de aplicação de fungicidas para controle da ferrugem porque a chuva estava frequente.

Entretanto, ainda não é possível saber se teve prejuízos nessas localidades, porque a colheita só será mais adiante. Mas o produtor não acredita que houve danos. "Em relação às aplicações, tudo seguiu como no cronograma de outras safras: três de fungicida, três de inseticida e duas de herbicida. O clima dessa vez não nos ajudou tanto, inclusive a chuva atrasou um pouco o plantio. Ora choveu muito, ora tivemos dias muito quentes. Foi tudo meio instável, não redondinho como no ano passado."

De toda soja que produziu, Casaroto travou 30% da comercialização, sendo 10% a R$ 70 a saca e 20% a R$ 66 a saca. Agora, está na expectativa que os preços fiquem mais interessantes. Depende do mercado. Por outro lado, ele relata como os custos de produção aumentaram. Nas contas dele, nos últimos dois anos a soja sofreu queda nos preços de 10%, enquanto os custos subiram 15%. "Em 2016 tivemos soja a R$ 80. O que mais está nos penalizando agora, além do aumento dos preços dos defensivos, é o preço do óleo diesel, que saiu de R$ 2,60 para R$ 3,10 o litro. Quando as máquinas estão na roça, eu gasto de R$ 2 mil a R$ 3 mil a mais por dia, quase o salário de um funcionário meu. Aí o lucro dissolve. A gente colhe bem, vende razoável, mas a hora que as vê as contas, não sobra quase nada."

Já o produtor Ricardo Amano trabalha com uma área de 70 alqueires em Cambé. A expectativa dele é iniciar a colheita entre a próxima terça e quarta-feira, que já está atrasada em 10 dias. "Ano passado fechei minha produtividade em 172 sacas por alqueire e agora devo chegar a 150 sacas. O tempo complicou demais, principalmente as aplicações de fungicida", diz ele, que já travou 30% da sua safra a R$ 70 a saca. (V.L.)

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