O produtor deve se preparar para gastar mais ao plantar a safra de verão 2001/2002. Com o dólar nas alturas, os custos dos insumos aplicados no plantio estão mais altos este ano.
Conforme estimativas feitas pela Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), o custo de produção este ano estará entre 15% e 18% maior em relação ao plantio da safra passada. O aumento no preço dos fertilizantes, agroquímicos e combustíveis vai pesar para o produtor na hora do desembolso.
Tudo subiu A preocupação é que os agricultores vão plantar numa fase de descontrole cambial, enquanto na colheita o mercado poderá estar acomodado. Conforme levantamento da Ocepar, o custo dos fertilizantes teve reajuste de 15%, os agroquímicos ficaram 20% mais caros e os combustíveis 8%.
A previsão é que o governo tenha um controle da taxa de câmbio até o período da colheita da safra. Com isso os preços dos produtos que estão sendo beneficiados momentaneamente pelo aumento do dólar, caso da soja, certamente não estarão tão valorizados como estão agora, avaliou Nelson Costa, assessor econômico da Ocepar. ‘‘Acredito que irá haver uma acomodação da taxa cambial em patamares inferiores aos praticados atualmente’’, disse.
Situação difícil Para os produtos comercializados no mercado interno, como milho e feijão, a situação se agrava, porque os custos estão altos, enquanto os preços não evoluem na mesma proporção da desvalorização cambial.
Para evitar riscos, Costa recomenda que o produtor procure travar o preço da soja agora, que o momento é favorável à comercialização do grão. ‘‘Se o produtor optar pela venda futura de uma parte da safra, poderá se precaver de possíveis oscilações no futuro’’, orienta. Mesmo com o custo alto de produção, avisa Costa, o produtor não deve abrir mão de aplicar a tecnologia recomendada e comprar semente selecionada, sob pena de se frustrar com a produtividade da lavoura.
Custos de produção Conforme cálculos do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Deral), o custo de produção da soja teve uma alta de 5,5% no período de junho de 2000 a 2001. Considerando o cultivo com a técnica do plantio direto e rendimento de 3 mil quilos por hectare, o custo total de produção da soja em junho de 2000 era R$ 12,85 a saca, passou para R$ 13,55 a saca, em junho desse ano.
Os itens que mais subiram foram despesas com máquinas e combustíveis (13%), despesas com implementos e utensílios (13,7%), correção de solo (18%), fertilizantes (8%) e mão-de-obra permanente (15%). O plantio direto já está presente em mais de 85% da área plantada com soja, que na safra passada ocupou 2.763 hectares, disse a engenheira agrônoma do Deral, Vera da Rocha Zardo.
Rentabilidade da soja Mesmo com o aumento no custo de produção, o preço da soja ainda está bastante atraente para o produtor, que está vendendo o produto entre R$ 28,00 a R$ 29,00 a saca, essa semana. No mês de junho, o preço médio da soja, apurado pelo Deral, ficou em R$ 19,24 a saca, que correspondeu a uma rentabilidade positiva de 42%, considerando o aumento no custo dos insumos.
Prejuízo no milho O custo de produção do milho teve um aumento de 8,9% para quem fez o plantio direto e um rendimento de 6 mil quilos por hectare. O custo total passou de R$ 10,50 a saca, em junho de 2000, para R$ 11,43 em junho de 2001.
Os itens que mais pesaram no custo do milho, no período analisado, foram a semente (alta de 25%), fertilizantes (12,7%), despesas com máquinas, combustíveis e manutenção (12,3%), despesas com implementos e utensílios (14,2%), correção de solo (20%) e mão-de-obra permanente (14,6%).
O produtor que optou pelo plantio de milho na safra passada, teve prejuízo esse ano. Conforme preço médio de venda do milho, apurado pelo Deral, o produto foi vendido por R$ 7,63 a saca, que correspondeu a uma rentabilidade negativa de 32%. A técnica do plantio direto já está presente em mais de 50% da área ocupada com milho, que na safra passada ocupou 1.848.000 hectares.
Semente mais cara O custo de produção do feijão das águas, para quem colheu 17 sacas por alqueire (1020 quilos por hectare) subiu 10% entre junho de 2000 e junho de 2001. O custo de produção que era R$ 35,33, passou para R$ 38,87 a saca. Pesou mais para o produtor o reajuste com despesas de manutenção de máquinas e combustíveis (16,8%), despesas com manutenção da área e benfeitorias (12%), fertilizantes (11,7%), sementes (24%), correção do solo (18%) e mão-de-obra permanente (14%).
A semente de feijão teve alta expressiva em função da valorização do produto, que foi comercializado essa semana por R$ 63 a saca do feijão preto e R$ 44 a saca do feijão carioca. Considerando o preço médio praticado em junho, de R$ 52,00 a rentabilidade com a cultura foi positiva em 34,3%.
Redução de algodão O custo de produção do algodão subiu 11,9% no período junho/2000 a junho/2001, passando de R$ 11,44 para R$ 12,81 a arroba. Os itens que mais subiram foram fertilizantes (18%), despesas com manutenção de máquinas e combustíveis (17%), correção do solo (20%), mão-de-obra fixa (12,4%) e mão-de-obra variável (10,6%), bastante utilizada no plantio do algodão.
Quem plantou algodão, com rendimento de 2.200 quilos por hectare e vendeu o produto em junho, teve prejuízo de 37%. Por causa disso, a tendência é de redução na área de plantio na próxima safra.
Vera Zardo salienta que no mês de junho, período analisado, o preço dos produtos tiveram alta superior ao preço dos insumos, situação que poderá se reverter a partir desse mês, acrescenta. Segundo a agrônoma, o aumento no preço dos fertilizantes e agrotóxicos ainda não refletem toda a variação do dólar, que se acentuou esse mês.

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