A expectativa de ganho com a soja no próximo ano está levando os produtores a anteciparem e a aumentarem a compra de sementes para a safra 2001/2002. De acordo com o pesquisador da Embrapa Soja, de Londrina, Luiz Carlos Miranda, a produção de sementes está bem ajustada a demanda pelo produto. Por isso ele não acredita em falta de sementes para a próxima safra. ‘‘Aqueles produtores que deixarem para comprar mais tarde, certamente não poderão escolher, mas ainda não há risco de escassez.’’
A procura maior, de acordo com o pesquisador, é por variedades precoces que podem ser plantadas mais cedo. ‘‘Mesmo com uma certa quebra na germinação em alguns Estados, em cultivos de variedades precoces, que são as mais demandadas, o período ainda não registra falta deste tipo de sementes,’’ reforça Miranda.
Intenção de plantios A primeira pesquisa de intenção de plantio para a safra de verão 2001/2002, do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), indica que haverá um aumento nas áreas de plantio de soja e feijão. Já as áreas de milho e algodão deverão ser reduzidas. A informação é da agrônoma Verda Zardo, do Deral.
Segundo a técnica, a área plantada com soja deverá ter um aumento de 8,26%, devendo ocupar 3.019 milhões de hectares. Com isso, a produção do grão deverá ficar entre 8,26 milhões e 9,14 milhões de toneladas.
Somando todos os grãos (soja, milho, amendoim, arroz e feijão) mais o algodão, a área ocupada com o plantio deverá atingir 5.069.064 hectares, praticamente a mesma área da última safra, quando foram cultivados 5.118.954 hectares. A produção total deverá ser de 16,5 milhões de toneladas, 11% menor que a safra 2000/2001. A queda na produção, explica Vera Zardo, se explica pela troca do milho pela soja, que tem um rendimento menor por hectare.
A área de milho deverá ser reduzida em 17%, caindo de 1,85 milhão para 1,53 milhão de hectares. Com isso, a produção de milho está estimada em 7,06 milhões de toneladas, 24,4% menor que a produção da atual safra.
Ainda segundo levantamento do Deral, o feijão das águas (primeira safra) deverá registrar um aumento de 15,4% na área cultivada, com previsão de produção de 416 mil toneladas. Para o algodão, a redução no plantio é estimada em 13,7% com a área passando de 70,8 mil para 61,1 mil hectares.
Escolha faz diferença O presidente da Associação Paranaense de Produtores de Sementes (Apasem) Iwao Miyamoto, lembra a importância do uso de sementes selecionadas, prática que pode aumentar o rendimento médio das lavouras de soja e, portanto, a lucratividade com a lavoura.
Na hora de comprar o insumo o agricultor não deve levar em consideração só o preço, mas também detalhes como garantias de germinação, boa formação de estande, adaptação climática, entre outros, avisa Miyamoto. E esses detalhes, de acordo com Iwao Miyamoto, fazem diferença de região para região e até de propriedade para propriedade. Daí a importância de gerenciar bem as lavouras e investir na compra de insumos.
‘‘Infelizmente ainda tem gente que compra sementes por telefone, sem ver o produto; ou escolhe a semente pelo preço, sem garantia de qualidade. ‘‘As vezes economiza-se meio saco ou um saco por alqueire, mas perde-se, no final, de 30 a 40 sacos em produtividade,’’ afirma Miyamoto. O agricultor, segundo ele, precisa participar de palestras e conhecer novas tecnologias, ouvir os técnicos e saber que a escolha das sementes representa 70% de sucesso no cultivo.
O agricultor que usa sementes selecionadas, segundo Miyamoto, pode obter rendimentos em torno de 60 sacas/soja/ha, a exemplo do que ele já consegue em sua propriedade; enquanto a média hoje está em 45 sacas/soja/ha. ‘‘Uma saca de sementes selecionadas vale hoje 2 sacas de soja. O uso de sementes próprias ou sem certificação pode ocasionar perdas de 10 a 15 sacas de soja/ha.’’
Safra não terá transgênicos A possível liberação do plantio e da comercialização de soja transgênica no País começa a criar expectativas, mas a semente geneticamente modificada não deverá ser adotada de imediato para a próxima safra, que começa a ser plantada em setembro. Não existem sementes disponíveis.
Além da Monsanto, a Embrapa Soja, de Londrina, e a Codetec (Cooperativa Central Agropecuária de Desenvolvimento), de Cascavel, estão trabalhando para desenvolvimento de variedades de soja transgênica. A Codetec já tem inclusive pedido de registro de duas variedades junto ao Ministério da Agricultura e espera a liberação para iniciar produção de sementes. A Embrapa começa a realizar testes de valor agrônomico da soja modificada. As variedades da Codetec só deverão estar no mercado na safra 2002/2003 e as da Embrapa apenas em 2004/2005.
A Monsanto não deu nenhuma declaração sobre o assunto; nem mesmo se numa suposta liberação já teria sementes disponíveis para o agricutor. Mas a liberação do cultivo tem pendências judiciais a serem vencidas. O plantio e o consumo dos transgênicos esbarram em diversas polêmicas sobre os possíveis danos ao meio ambiente e prejuízos a saúde humana. Além disso, é preciso avaliar o mercado, já que Europa e o Japão, compradores do produto brasileiro, querem a soja limpa, ou seja, sem modificações genéticas e são compradores do produto brasileiro.
Espera pela liberação A Cooperativa Central Agropecuária de Desenvolvimento (Codetec), segundo o diretor Ivo Carraro, desenvolve parceria com a Monsanto há cinco anos e já tem o pedido de registro de duas variedades da soja transgênica, que atendem às exigências agronômicas e de biosegurança. De acordo com Carraro, a Codetec espera a liberação para iniciar a multiplicação de sementes. ‘‘Depois teremos mais um ano para produção de sementes.’’
Carraro calcula que as variedades poderão estar disponíveis aos agricultores apenas para a safra 2002/2003. Segundo ele, a vantagem destas novas variedades é a redução de custos e a facilidade no controle de plantas daninhas, mas o agricultor terá que ser treinado para usá-las. Carraro afirma que a prioridade da Codetec é trabalhar no estudo de variedades convencionais e ter sempre as novidades tecnológicas como opção a mais para os agricultores.

mockup