Safra de uva é prejudicada pela chuva
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sábado, 12 de janeiro de 2002
Lucinéia Parra 
Consumidores de Londrina e Maringá tiveram dificuldades de encontrar uvas de qualidade neste final de ano, época de grande consumo de frutas. Não é possível saber nos pontos de vendas qual a origem destas frutas, mas técnicos informam que a safra da Marialva, na região de Maringá, sofreu com falta de investimentos dos agricultores e o excesso de chuvas a partir da segunda quinzena de dezembro do ano passado. Além de uvas rachadas, boa parte da produção está comprometida pela redução dos cachos e até mesmo por manchas na fruta. Outro problema apontado por técnicos agrícolas é com relação à falta de condições adequadas do transporte e falta de cuidados no manuseio da fruta.
Mas não foi só a uva, a manga e os pêssegos que vieram de fora da região também tinham baixa qualidade este ano. Segundo informações de alguns box da Ceasa de Londrina a comercialização de frutas este ano foi menor do que o ano passado, e é difícil um controle de qualidade porque as frutas vem de diversas regiões e de diferentes produtores.
Excesso de chuvas De acordo com o engenheiro agrônomo e chefe da Emater de Marialva, José Odair Mazia, as chuvas diárias a partir do dia 15 até a véspera do Natal encharcaram as lavouras e prejudicaram os cachos de uvas. Boa parte da produção ficou comprometida. Em função do excesso de chuvas os cachos de uvas ficaram mais cheios e por isso mais propensos a rachaduras. O transporte inadequado das caixas de uvas e o manuseio sem cuidados também contribuíram, segundo Mazia, para prejudicar ainda mais a qualidade.
Além das rachaduras, outro problema da safra deste ano é com o tamanho dos cachos. Conforme Mazia, os produtores que retardaram a poda dos parrerais ano passado estão colhendo cachos de uvas menores em função do período de estiagem em setembro e outubro. Mas não foram apenas os fatores climáticos que interferiram na qualidade da uva produzida em Marialva e Maringá. Segundo Mazia, a forte geada ocorrida em 2000 descapitalizou os produtores que por sua vez, investiram menos nas lavouras para a safra de 2001. Ele explica que os produtores poderiam ter protegido os parrerais com lona nos dias de chuvas consecutivas. Este tipo de cuidado preservaria a qualidade da fruta.
Transporte O transporte também é citado por Mazia como uma das causas da má qualidade das uvas comercializadas este ano na região. Segundo ele, na maioria das vezes a fruta é embalada em caixa de madeira, que por sua vez é colocada em caminhões sem nenhum sistema de amortecedores especial ou qualquer tipo de refrigeração. Para agravar a situação, o manuseio sem cuidados tanto no momento do transporte como no abastecimento dos supermercados e postos de vendas, especialmente com a uva niágara, também contribui, conforme Mazia, para a perda da qualidade. Ele diz que a tendência é normalizar a questão da qualidade da fruta nos próximos anos. Isso é claro se não houver geadas fortes, ponderou.


