Safra de trigo está comprometida pela estiagem
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sexta-feira, 24 de junho de 2011
Ricardo Maia <br> Reportagem local 
João Nazima, produtor de trigo de Guaravera, distrito de Londrina, já sente na lavoura as consequências da seca que atingiu a região nas últimas semanas. Ele explica que nessa safra de inverno deverá ter uma perda significativa em sua produtividade, já que na principal fase de desenvolvimento do cereal faltou água. Nesse ano, ele estima colher 40 sacas por hectare, 20 sacas a menos do que foi produzido em 2010.
Otmar Hubner, diretor do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), informa que no mês de maio choveu apenas 10 milímetros no Estado. ''Esse volume está muito abaixo do que a planta precisa para se desenvolver. Quem plantou o trigo tardiamente levou vantagem, pois aqueles que anteciparam tiveram suas lavouras prejudicadas'', comenta.
O especialista do Deral sublinha que os produtores que plantaram em abril obtveram uma germinação desuniforme devido à estiagem. Nazima foi um dos prejudicados. Ele deve colher nesse ano 6 mil sacas de trigo, 4,5 mil a menos do que na safra anterior. Para o produtor ''foi uma surpresa que trouxe prejuízos''.
De acordo com o especialista do Deral, a seca prejudicou a produtividade não só da região norte, mas em todo Estado. ''No ano passado tivemos uma produtividade recorde de 2,950 quilos por hectare. Em 2010 choveu bem e não houve geadas. Nesse ano, o índice do Paraná caiu para 2,780 quilos por hectare. Porém, houve produtores que conseguiram 6 mil quilos por hectare porque investiram em adubação, mas elevaram os custos de produção.
O produtor de Guaravera ainda aponta que os preços do trigo não o atraiu neste ano. Em abril ele plantou 130 hectares, 70 a menos do que em 2010. ''Nesse ano direcionei minha produção ao cultivo do milho safrinha. Apesar do preço do cereal ser menor, cerca de R$ 24 por saca, R$ 2 a menos do que o trigo, o milho me dá uma maior produtividade, garantindo melhor renda'', sublinha. Nazima completa que os preços da triticultura estão muito ruins.
Hoje ele recebe pelo cereal cerca de R$ 26 por saca de 60 quilos, valor equivalente ao seu custo de produção. ''Se conseguir receber o mesmo valor que investi, já me considero no lucro. Só plantei trigo nesse ano para não deixar minha terra vazia'', desabafa o produtor. Nazima completa que ter lucro nessa atividade está cada vez mais difícil. ''A cada cinco anos, somente um consigo ter lucro'', calcula.
O chefe do Deral enfatiza que o trigo segue desestimulado devido ao aquecimento do produto no mercado internacional. Ele destaca que o real supervalorizado é outro gargalo, o que faz a importação do produto da Argentina e Paraguai ser mais atrativa. conforme dados do Deral, neste ano o Paraná reduziu em 13% a área plantada em relação ao ano passado e deve colher nesta safra cerca de 2,85 milhões de toneladas. Em 2010, o Estado produziu 3,45 milhões de toneladas.
Otmar ressalta que muitas regiões do País preferem importar da Argentina porque, entre outros pontos, os custos de transporte via marítima do país para o Brasil são mais baratos do que levar o trigo do Paraná e do Rio Grande do Sul para o Nordeste, por exemplo. ''Devido a isso, o grão que produzimos é consumido aqui mesmo no Sul, por isso o mercado está em caindo'', assinala. O Paraná é o principal produtor do cereal do País, respondendo por 60% da produção nacional.


