A safra 2004/2005 que está sendo implantada no Paraná será 0,6% maior incluindo grãos de verão, hortaliças e outros produtos como cana, mandioca e fumo. Passa de 6,5 milhões de hectares (ha) para 6,6 milhões de ha cultivados.
A área destinada ao cultivo de grãos, no entanto, não terá crescimento: 5,7 milhões de ha. Já a produção poderá atingir 20,3 milhões de toneladas (t). Essa estimativa no aumento na produção deve-se a recuperação na produtividade principalmente da soja, que na safra 2003/2004 teve quebra na produção de 2 milhões de t devido a estiagem nos meses de janeiro e fevereiro.
Se tudo correr bem, segundo o agrônomo Otmar Hubner, o crescimento na produção será de 9,1% conforme aponta o quarto levantamento da safra de verão, realizado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura. O crescimento de 0,6% será em função do aumento das áreas de culturas como algodão, amendoin, mamona, fumo, mandioca, sorgo e outras. Mas há estimativa de redução de plantios de arroz, feijão e milho.
O fato curioso, segundo a agrônoma Vera Zardo, do Deral, é que muitos produtores estariam voltando para culturas que deixaram de cultivar nos últios anos. ''Os produtores estão experimentando culturas como mamona, girassol, entre outras, como alternativa de renda e também no apelo do biodiesel que vem aí,'' explica Vera.
O Brasil está criando um programa de energia alterantiva para visa substituir o óleo diesel utilizado nos automóveis, com a vantagem de ser menos poluente, e que pode ser retirado da mamona, do girassol e até da soja. Embora as áreas de mamona ainda não sejam expressivas no Paraná - 585 ha na safra passada e previstos 869 ha este ano -, o aumento de área nesta safra soma 48%. Outro destaque será a mandioca com 22% a mais de área, passando de 161 para 197 mil ha nesta safra.
A ampliação ou a redução nos cultivos, segundo técnicos do Deral, se dá em função de demanda de mercado. O caso de redução mais gritante nesta safra será o do milho ''Será a menor área dos últimos 30 anos, '' afirma Vera. Segundo ela, a redução será de 7,5, contra uma primeira estimativa de 4%, com o plantio de 1,25 milhão de ha ante 1,36 milhão do ano passado.
A decisão do produtor em optar por soja, avalia Vera, mesmo com a tendência de baixos preços no mercado internacional, se deve à maior estabilidade da cadeia e do mercado da oleaginosa, maiores facilidades para entrega e comercialização do produto e, principalmente, a liquidez constante.
O produtor de milho, continua Vera, devido ao aumento do custo de produção, estimado em 17% - dados da Ocepar indicam 18,4% -, e pela falta de uma garantia na comercialização, como um venda antecipada que assegure uma remuneração sobre o custo de produção, sente-se inseguro em apostar no milho. ''Novamente irá garantir a liquidez com a soja e optar por milho na segunda safra'', prevê Vera.
Se o clima seguir normal a produção estimada do milho é de 7,18 milhões de t, 6,6% a menos do que no verão anterior, quando foram colhidos 7,68 milhões de t. A produtividade média das lavouras está projetada em 5.711 kg/ha, ligeiramente superior à colhida na safra passada (5.660 kg/ha), o que indica que não haverá redução do nível de tecnologia nas lavouras paranaenses.
Projetando um aumento da área de milho safrinha de aproximadamente 15%, considerando uma recuperação da produtividade, a estimativa de produção total segundo dados do Deral para a safra 2004/05 é de 13 milhões de t, o que representa aumento de 16% em relação à safra 2003/04, quando foram colhidas 11,15 milhões de toneladas.
Para a soja a projeção é de 4% a mais nesta safra. Em 2003/04 foram 3,93 milhões de ha. Para 2004/05 os produtores estão semeando 4,09 milhões de ha. Os maiores avanços, segundo Vera, se dão nas regiões de Apucarana, com 20%; Jacarezinho e Laranjeiras do Sul, com 16% e Guarapuava com 15%.

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