A expectativa do produtor José Roberto Marcolino é que o preço compense as perdas provocadas pela estiagem
A expectativa do produtor José Roberto Marcolino é que o preço compense as perdas provocadas pela estiagem | Foto: Fotos: Ricardo Chicarelli



Quem viu o tempo cinzento e de muita chuva dos últimos dias pode pensar que o produtor rural está mais aliviado, principalmente depois da estiagem de 40 dias que assolou as lavouras das culturas de inverno em diversas regiões do Paraná. Bem, mas a situação não é tão simples como parece, principalmente quando se trata do milho safrinha e, em menor escala, para o trigo. Ambas as culturas já estão com perdas consolidadas no Estado nesta safra 2017/18.

No caso do milho, a situação é mais complicada. Afinal, as precipitações neste momento - que ultrapassaram, por exemplo, 150 milímetros em Londrina no mês de agosto - estão atrapalhando a colheita da cultura. Até esta semana, de acordo com o Deral (Departamento de Economia Rurall) da Seab (Secretaria da Agricultura e do Abastecimento), a colheita já representa 50% da área, enquanto no mesmo período do ano passado atingia a casa dos 67%. Portanto, no caso do milho, a chuva mais atrapalha do que ajuda. É hora das máquinas entrarem nas lavouras.

O técnico do Deral, Edmar Gervásio, relata que a produção projetada neste momento é de 9,3 milhões de toneladas para o milho, uma redução de 23% comparado aos 12 milhões de toneladas projetados anteriormente. "Norte e Oeste, que são as regiões grandes produtoras do Estado, sofreram de forma intensa com a seca, que ocorreu bem no período de desenvolvimento da planta, entre abril e maio, pegando inclusive a floração e frutificação". O relatório ainda aponta que 52% das plantações apresentam condições medianas e 30% condições ruins.

Para Gervásio, num primeiro momento, a disponibilidade de milho no Estado vai sofrer uma retração de quatro milhões de toneladas comparado ao resultado final da safra passada, e isso é significativo. "Isso fará que o abastecimento fique um pouco mais complicado, não que haverá desabastecimento, mas a relação entre compradores e vendedores fica mais estreita, o que pode impactar os preços num nível mais alto."

Espigas pequenas e pouco granadas confirmam a baixa produtividade do milho
Espigas pequenas e pouco granadas confirmam a baixa produtividade do milho



TRIGO
No caso do trigo, o relatório do Deral aponta que já houve uma quebra na casa dos 9% frente ao que estava projetado no Estado. A expectativa agora é de uma colheita de 3,1 milhões de toneladas. Diferentemente do milho, neste momento a chuva é importante para a cultura, que está em fase de desenvolvimento vegetativo e floração. "A chuva está beneficiando agora, fazendo com que pelo menos estanque as perdas nos níveis que estão hoje. Mas tem bastante coisa já perdida, no Norte Pioneiro, inclusive, com perda total", avalia o técnico do Deral, Carlos Hugo Winckler Godinho.

Ele relata ainda que a seca tem sido um problema recorrente para a cultura nos últimos anos, em pelo menos alguma região do Estado. "Tivemos a mesma situação no ano passado. No retrasado, a lavoura foi excepcional para o Sul e no Norte não tinha sido tão boa. Ou seja, temos um ano em que o produtor está empatando (em retorno financeiro) e em dois, perdendo."

Por fim, Godinho relata que o custo de produção da cultura esta na casa dos R$ 39 para a saca. Hoje, pelo Estado, o preço pago na saca varia entre R$ 47 e R$ 49. Vale dizer que a colheita do trigo ganha força em setembro. "O que mantém esse preço alto é que a safra mundial está com muitos problemas, com uma onda de calor na Europa e na Austrália. Mas ainda temos a entrada da safra argentina no País nos próximos meses, o que complica o cenário (em relação a sustentação dos preços) se tiver um grande volume."

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