Curitiba - A safra de feijão no Paraná, maior produtor do País, registra quebra de 8% de agosto - quando se iniciou o plantio - para cá. Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a previsão, em agosto, era de que a safra paranaense chegasse a 510.544 toneladas. Hoje, a estimativa é de 476936 t.
Apesar de ser uma safra grande, apenas 15% do feijão foram colhidos. A preocupação, segundo o engenheiro agrônomo do Deral, Gilberto Martins Bello, é de que haja atraso na colheita por conta do excesso de umidade nos grãos. Também por conta das chuvas, a quebra de safra pode ser ainda maior. Até agora, as maiores quebras foram registradas em Jacarezinho e Cascavel (24%), Campo Mourão (22%) e Francisco Beltrão (21%).
A redução da oferta do feijão já teve reflexo no preço. Na semana passada, o produtor estava vendendo a saca de 60 quilos do feijão cores (carioca) a R$ 77,43 e o preto a R$ 65,57. No início da semana, a cotação média no Estado subiu para R$ 87,60 o feijão cores (alta de 13,13%) e o preto R$ 67,63 (alta de 3,14%).
Nas regiões de Ponta Grossa e Jacarezinho, o feijão cores chegou a ser cotado - preço recebido pelo produtor - a R$ 110,00 a saca. Também em Ponta Grossa foi registrada a maior cotação para o feijão preto, R$ 75,00, mas havia previsão de novas altas.
Em comparação com o penúltimo levantamento feito pela Seab (entre 11 e 15 de novembro) o preço do feijão cores para o produtor sofreu variação de 36,66%. O reajuste do feijão preto nesse período foi de 6,33%.
No atacado (saca de 30 quilos), o feijão cores era vendido a R$ 45,22 (na semana de 11 a 15 de novembro) e na passada subiu para R$ 50,89, o que representa variação de 12,53%. Já o feijão preto registrou variação de apenas 0,8%, aumentando de R$ 46,16 para R$ 46,53, no atacado.
Para o consumidor, o preço médio do feijão cores era de R$ 2,08 e do preto R$ 2,25. Só será possível avaliar o impacto dos últimos reajustes, depois que a Seab fizer a próxima pesquisa de preços no varejo, daqui a duas semanas.
Feijão argentino Bello explica que o dólar atrapalhou as negociações de preço do feijão preto no País. Muitos atacadistas estão buscando o produto argentino. Segundo ele, o consumo do feijão preto no Brasil é pequeno. Apenas Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraná consomem esse tipo de feijão. Nos demais estados, o maior consumo é do feijão carioca.
Em outros estados produtores, o clima também não tem colaborado com a safra de feijão. Na Bahia, segundo maior produtor, a seca está atrapalhando o plantio. São Paulo, que está começando a colheita, também sofre com o excesso de chuvas.
A previsão do Deral é de que os preços continuem em alta durante a primeira quinzena deste mês. ''Com a oferta maior do produto a partir da segunda quinzena, quando tivermos entre 30% e 40% do feijão colhido, pode ser que haja queda'', ponderou Bello.
Apesar do aumento no preço do feijão, o diretor comercial de uma rede de supermercados, Jeferson Fidelis de Oliveira, garante que o consumo está normal e que não deva cair por causa do preço.
A substituição do feijão por macarrão e frango ficou inviável, pois esses produtos sofreram aumentos de 12% e 16% em novembro, conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os maiores produtores de feijão no Paraná são Ponta Grossa, com previsão de safra de 87,8 mil toneladas, Ivaiporã (63 mil toneladas), Irati (57 mil toneladas), Curitiba (55,4 mil toneladas) e União da Vitória (49,5 mil toneladas).

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