Na região de Bandeirantes, a atual safra de uvas foi a melhor dos últimos cinco anos, de acordo com o engenheiro agrônomo Manuel Pessoa de Lira, da Rede de Referências da Emater. Ele explicou que a qualidade depende da conscientização do produtor, que não deve colher antes do amadurecimento para aproveitar preço. Na Associação de Desenvolvimento Comunitário Três Águas (representante da maior região produtora de Bandeirantes), a uva comercializada é selecionada antes de ser vendida. ‘‘Para ampliar o mercado é preciso oferecer produtos que atendam às exigências do consumidor’’, disse José Pedro Marson, presidente da entidade.
Lira considera que a oferta de uvas de qualidade depende também da conscientização do consumidor, que deve reclamar no supermercado quando compra frutas ruins. ‘‘Dessa forma, obrigaria o varejista a buscar o melhor produto’’, argumentou.
Viticultores de Bandeirantes compartilham dessa opinião. Alguns produtores ouvidos pela Folha Rural defendem que a rastreabilidade é uma providência necessária para garantir produtos melhores no mercado. Conhecendo a origem da fruta, o consumidor poderia cobrar qualidade ao adquirir a uva. O varejista, por sua vez, teria como garantir a origem do produto.
Outra necessidade é a padronização da uva, que passaria a ser classificada de acordo com características pré-estabelecidas. ‘‘Os produtos fora do padrão poderiam ser vendidos a preços mais baixos, desde que houvesse um aviso ao consumidor’’, acrescentou o produtor Massariu Harada.
A presença de uvas ruins no mercado preocupa os produtores de Bandeirantes. ‘‘Se as pessoas compram frutas ruins, deixam de consumir. Isso prejudica a atividade’’, consideraram.

mockup