Safra da cana deve ter queda de 4,21%
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sexta-feira, 15 de julho de 2011
Agência Estado 
São Paulo - A União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) sinaliza uma queda de 35 milhões de toneladas de cana-de-açúcar produzida na safra 2011/12 do Centro-Sul em relação a sua estimativa inicial, feita no final de março. De acordo com a entidade, a nova projeção aponta para uma moagem de 533,50 milhões de toneladas, uma redução de 6,16% em relação ao total estimado em março de 2011 (568,50 milhões de toneladas), e queda de 4,21% sobre o valor final da safra 2010/2011 (556,94 milhões de toneladas). Se confirmada a estimativa, será a primeira vez em mais de dez anos que a produção de cana-de-açúcar do Centro-Sul registrará recuo em relação ao ano anterior.
Segundo a Unica, os principais fatores que levaram a essa redução no volume de cana disponível para a moagem foram a idade avançada do canavial, em função da menor renovação da cultura e menor investimento em tratos culturais nos últimos anos, e a estiagem, que prejudicou o desenvolvimento das plantas. O canavial velho reduz o rendimento agrícola da lavoura.
Segundo o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), parceiro da Unica na previsão, a produtividade agrícola da área colhida até este momento ficou em 76,0 toneladas por hectare, queda de 19,66% em relação ao valor apurado no mesmo período de 2010 (94,6 toneladas de cana por hectare).
Também contribuiu para a perda de produtividade o florescimento do canavial que faz com que a concentração de açúcar caia de forma expressiva e que está sendo registrada principalmente nos Estados de São Paulo, Goiás e Minas Gerais. Já os Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná também foram prejudicados pela geada que ocorreu no final de junho e comprometeu a disponibilidade de cana para moagem em várias unidades produtoras. As perdas vão desde a ''queima'' do ponteiro apical, com inibição do crescimento, até a morte de tecidos da planta.
Segundo Antonio Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica, o cenário atual impõe um desafio adicional a qualquer exercício de previsão.''Além do canavial desbalanceado, as condições climáticas atípicas e as diferentes respostas fisiológicas da planta dificultam o uso de parâmetros estabelecidos com dados passados'', disse.
Análise
Rodrigues reforça que a previsão de redução da safra pode aumentar em decorrência dos efeitos da geada em algumas regiões, não totalmente quantificados. ''As regiões atingidas podem ter uma queda entre 20% e 30%, mas ainda não quantificamos as perdas em sua totalidade'', disse. Segundo ele, na atual previsão foram consideradas perdas de 2 milhões de toneladas provocadas pelas geadas. ''As perdas totais devem superar este volume um pouco'', acredita.
O presidente da Renuka do Brasil, Humberto Farias, acredita que os efeitos da geada poderão ser bem maiores que os registrados pela Unica nesta estimativa. ''Ainda é cedo para quantificar os prejuízos causados nas regiões produtoras de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul'', afirma. Segundo ele, além da perda da cana, a produtividade agrícola também caiu.
Padua, da Unica, ressalta que a produtividade deve registrar perda de 5%. ''Continuamos a monitorar a qualidade da cana colhida. Acreditamos que a partir de agora as perdas de rendimento serão reduzidas. Não acredito em melhora da produtividade mas pior também não vai ficar'', disse ele.
O presidente da Guarani, Jacyr Costa Filho, lembra que existe um enorme potencial de recuperação do canavial, que pode superar as 70 milhões de toneladas apenas se a produtividade agrícola voltar aos níveis registrados antes da crise financeira. Para isso, há necessidade de novos investimentos no setor. ''Diante da ausência de capital novo neste setor, é improvável que a oferta e demanda se equilibre nesta ou na próxima safra'', afirma o gestor de risco da FCStone, Marcos Silveira.


