Vânia Casado
Mesmo com o aumento de 5,8% na produção deste ano, a safra de maçã que começa a entrar no mercado não está animando os produtores. Os preços que serão praticados no período da safra não são atraentes e os custos de produção aumentaram muito, justificou o presidente da Associação Brasileira de Produtores de Maçã, Luiz Borges. Até o mercado externo, para aonde vão cerca de 10% da produção nacional da fruta, está com preços em queda como os demais produtos oriundos da agricultura.
A safra de maçã 99/2000 deve atingir 804.000 toneladas – um incremento de 44.000 toneladas sobre a produção do ano passado, que ficou em 760.000 toneladas. A preocupação de Borges é com a queda no rendimento ao produtor em função do alto índice de produto industrial este ano. Segundo o produtor, ocorreu muita chuva de granizo no segundo semestre do ano passado, que afetou os pomares e danificou os frutos. O resultado é que eles ficaram muito machucados e por isso é desviado para aproveitamento industrial. No ano passado, 7% da safra foram destinados à indústria, enquanto este ano a previsão é que até 14% das frutas sejam destinadas ao consumo industrial.
ComercializaçãoAtualmente a caixa com 18 quilos de maçã está sendo comercializada em torno de R$30,00. Mas daqui a alguns dias a cotação cai para R$15,00 a R$12,00, repetindo o preço do ano passado, admite o produtor. Ocorre que neste ano os custos de produção aumentaram muito em consequência da alta dos insumos, provocada pela desvalorização cambial e com o aumento de até 50% no custo da caixaria. ‘‘Este insumo, que antes representava pouco na formação de preço, agora está pesando’’, disse Borges.
Na década de 70, o produtor pagava o custeio de um hectare de pomar de maçã com 10 toneladas de fruta. Na década de 80, o custo avançou para 20 toneladas e no ano 2000 são necessárias 35 toneladas de fruta para bancar o custeio de um hectare, relatou.
Mesmo a exportação não está atraindo muitos dividendos. Este ano os produtores vão exportar 70 mil toneladas de maçã gala para países da União Européia, Oriente Médio e Ásia. Esse volume representa um aumento de 30% sobre as 54.000 toneladas exportadas no ano passado. Em compensação o rendimento em dólares será menor. No ano passado os produtores receberam o equivalente a US$9,50 a caixa com 18 quilos e neste ano deverão receber em torno de US$8,50 a caixa.
No ParanáO Paraná deverá colher este ano 30 mil toneladas de maçã, um volume 5% maior em relação à safra passada, que rendeu 28,4 mil toneladas. A estimativa é do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, que prevê a colheita de frutos de qualidade, com sabor mais adocicado. O inverno passado, com maior período de temperaturas baixas, favoreceu o desenvolvimento das frutas.
A safra de mação do Paraná representa cerca de 4% da safra nacional. Os maiores produtores da fruta são os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A maior parte da produção se concentra na região de Palmas, Sul do Estado, responsável por 65% da safra. A expectativa é que só a região de Palmas deverá colher 19 mil toneladas da fruta. Os pomares de maçã ocupam em torno de 1.500 hectares, dos quais 1.340 hectares estão em produção, informa o engenheiro-agrônomo Paulo Andrade, do Deral.
A produção de maçã no Paraná não foi afetada pelo clima, ao contrário de Santa Catarina, que deverá colher um índice maior de frutas industriais, em função das chuvas de granizo. A estiagem, no entanto, prejudicou o desenvolvimento normal da fruta paranaense, que reduziu de tamanho. ‘‘Se por um lado a estiagem influenciou no tamanho, por outro proporcionou muito mais sabor aos frutos’’, informa o agrônomo.
Na região de Palmas, produtores vinculados à Cocamp (Cooperativa dos Campos de Palmas) estão adotando tecnologias para aumentar a produtividade e a renda. São cerca de 30 famílias, que antes eram filiadas à antiga Cooperativa Agrícola de Cotia, de São Paulo. Com a falência da Cotia, as famílias fundaram um projeto de assentamento na região, que foi viabilizado com o plantio de maçã. Das 19 mil toneladas de frutas que serão colhidas na região, a Cocamp será responsável pela produção de 10 mil toenladas.
Eles não descuidam da assistência aos pomares, fazendo as podas, raleios, adubações e tratamentos químicos nos períodos recomendados. A produtividade em alguns pomares naquela região varia de 60 a 70 toneladas por hectare, um índice considerado bom, porque cobre os custos de produção. Mas, na média do Estado, a produtividade cai para 23 toneladas por hectare.