A safra de milho de verão deverá recuar 6%, para 32,3 milhões de toneladas, previu esta semana a agência Céleres, no seu acompanhamento quinzenal. Essa queda se deve a uma área menor com milho (9,2 milhões de ha) e à queda na produtividade (3.505 kg/ha). A queda será ainda maior na safrinha, diz a Céleres. Apesar do aumento da área em 5%, a produtividade cai 35%, e a produção, 31,4%. Serão colhidos 8,7 milhões de t na safrinha, somando 41 milhões no total.
No Paraná, depois de uma semana aquecida, o ritmo da comercialização prossegue normal. O acompanhamento semanal de safras feito pelo Deral da Secretaria da Agricultura, indica que foram comercializadas, 10,4 milhões de t, 73% da produção em 2003.
A comercialização evoluiu um pouco neste mês, informa o estudo da engenheira agrônoma Vera Zardo. Comparando-se o percentual comercializado nesta semana com o volume vendido até o final de outubro, observa-se uma evolução em 5% nas vendas (700 mil t).
Essa evolução deve-se às exportações que voltaram a ocorrer num melhor ritmo, provocando uma melhora nos preços FOB - Paranaguá. As exportações estão ocorrendo basicamente para a Europa. Esta semana os preços FOB-Porto chegaram a R$ 20,00 a saca, o que liquidou a R$ 17,70/saca de 60 kg em Castro e R$ 17,00 em Maringá.
Os vendedores, por sua vez, continuam ofertando o produto em pequenas quantidades, esperando uma melhora mais acentuada dos preços. Os produtores estão optando pela venda da soja, cujos preços giram em torno de R$ 45,00 a saca, relação 3:1 (três sacas de milho para uma e soja), bastante favorável para a soja.
Há ainda 27% da produção paranaense a ser comercializada. Essa melhora do fluxo das exportações é positiva, pois o mercado interno está quase parado, sem compradores.
Conforme observa a engenheira agrônoma, quanto maior o volume de milho desovado, menores serão os estoques de passagem, fator que influenciará nos preços do milho da safra a ser colhida a partir do final de janeiro de 2004.
Se a Europa reduzir o ritmo da demanda, a situação de mercado volta a ficar crítica, pois no mercado interno não está havendo demanda. Na segunda quinzena de outubro, os preços do milho, no Paraná, estavam em queda e só reagiram após as compras feitas pela Europa.
Apesar do momento favorável para as exportações, tudo indica que o Brasil não atingirá as estimativas de exportar 4,2 milhões de t. De acordo com a Conab, foram embarcadas até o momento 2,8 milhões de t de milho no Brasil.
Pelo Porto de Paranaguá foram exportados 2,3 milhões de t e o restante das embarcações ocorreram por Santos e Santarém. A Conab deverá reestimar o volume de exportações para 3,5 milhões de t, o que deverá aumentar os estoques de passagem para 6 milhões de t. A Conab estima que o Paraná deverá chegar no início do ano com um estoque de 2,5 milhões de t, os Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul 1,1 milhão de t cada. Também os Estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás deverão fechar o ano com estoques significativos.
Os preços no mercado interno, no Paraná, em função da melhora da paridade exportação encontram-se em elevação e atingiram esta semana R$ 14,57 a saca para o produtor, o que representa um aumento de 2,8% desde o final do mês de outubro. Os preços variam entre R$ 13,00 e R$ 18,00 a saca, com o menor preço na Região de União da Vitória e o preço mais elevado na Região de Ponta Grossa.
Segundo a Conab, no interior do Mato Grosso, os produtores estão vendendo milho a R$ 8,50 a saca, situação bastante crítica.
A safra 2003/04, no Paraná, atingiu esta semana 88% da área semeada. A estimativa de plantio é de 1,35 milhão de ha, o que representa uma redução de 8,3% na área, com previsão de produção de 7,3 milhões de toneladas.
As lavouras encontram-se nas fases de desenvolvimento vegetativo (90%) e germinação (10%). Está faltando chuva para o desenvolvimento da cultura, principalmente no Oeste, Centro-Oeste e Norte do Estado.
Os técnicos de campo do Deral estão reavaliando as estimativas de área para a safra de verão e a redução no cultivo de milho pode ser acentuada, pois os preços da soja estão muito mais atrativos que o do milho.

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