Safra 2003/04 pode ficar sem financiamento
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sexta-feira, 13 de junho de 2003
Reportagem Local 
A redução do percentual obrigatório que os bancos destinam para o financiamento rural pode ter um efeito desastroso.
Essa é a avaliação da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), que, além de criticar uma eventual redução, defende que a taxa obrigatória recolhida pelos bancos seja elevada.
Hoje, os bancos são obrigados a destinar 25% - percentual fixado pelo Banco Central - sobre os depósitos à vista para financiar a agricultura. A CNA propõe que esse percentual suba para 30%.
A principal razão para isso é que mesmo essa fatia dos depósitos à vista dos bancos pode não ir para os produtores. Pela lei, os bancos têm duas opções: investir no agronegócio ou deixar o dinheiro parado sem receber remuneração nenhuma por seis meses.
''Muitos bancos preferem deixar o dinheiro retido pois argumentam que não têm vocação para o agronegócio'', avalia Luciano Carvalho, do Departamento Econômico da CNA.
Outro problema é que o volume de concessão de financiamentos não tem acompanhado o ritmo da produção agrícola no país. Nas duas últimas décadas, enquanto o volume da safra de grãos mais do que dobrou, a oferta de crédito caiu 56,7%.
Estudo da entidade indica que o governo deveria alocar R$ 44 bilhões para financiar a safra 2003/ 4. No entanto o próximo plano de safra -a ser anunciado na semana que vem-deve destinar apenas R$ 22 bilhões, segundo previsões do mercado. Ou seja, menos até do que os R$ 22,1 bilhões concedidos pelo governo em 2002, conforme dados do BC.
Não é realista esperar que o governo consiga disponibilizar R$ 44 bilhões, mas não se pode nem pensar em reduzir. A agricultura é o único setor que vai bem, diz Amaryllis Romano, da Tendências Consultoria.


