Sacos evitam contaminação por veneno
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de novembro de 2006
Célia Guerra<BR>Reportagem Local 
Tomates livres de resíduos de agrotóxicos e do ataque de pragas como a broca. Essas são as principais vantagens do sistema tecnológico tomatec (tomate ecologicamente correto) desenvolvido pela Embrapa Solos, do Rio de Janeiro (RJ). O sistema, como explica o pesquisador José Ronaldo Macedo, consite no ensacamento dos frutos no início da formação das flores de tomates. Uma penca de tomates tem, em média, até 8 flores. O ensacamento deve ocorrer logo que se abre a terceira flor, orienta.
O processo é feito por um período de 20 a 30 dias, até que se encerre a formação das pencas nos tomateiros. A pesquisa, segundo Macedo, testou tipos de materiais para a confecção das embalagens. Estamos utilizando um papel específico, o glasyne, que permite o bom desenvolvimento dos frutos, afirma.
Diferente do sistema de produção orgânica, o tomatec isenta o fruto dos resíduos de agrotóxicos porque eles ficam retidos nos sacos que envolvem as pencas. O material dificulta ainda o ataque da broca nos tomates, destaca.
Os tomates têm uma aparência muito boa, brilhosa, e frutos com maior resistência. Quanto ao sabor, não existe um trabalho específico, mas uma garantia a gente tem: esses frutos não têm resíduos de agrotóxicos, afirmou Macedo.
A experiência foi iniciada há 12 anos, no município de Paty de Alferes (RJ), com o controle da erosão do solo. O objetivo era fixar o plantio do tomate numa mesma área e evitar o deslocamento da cultura a cada dois anos, como ocorre atualmente. Desenvolvemos um sistema de produção que inclui plantio direto, adubação monitorada (fertirrigação) e monitoramento de pragas, conta Macedo.
O sistema de produção foi concluído no mês de setembro, com a participação de três agricultores de São José do Ubá (RJ). Foram realizados testes de pureza pelo Instituto Nacional de Controle de Saúde
(INCQS) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em amostras da colheita de São José do Ubá, que confirmaram a isenção dos resíduos.
Além dos frutos bonitos, o sistema tem resultados positivos no aumento da produtividade e na economia no uso de defensivos. O sistema reduz em 60% o uso de agrotóxico na lavoura e em 40 % a quantidade de água e do uso de adubos químicos. Na última safra, graças ao monitoramento, chegamos a ficar 30 dias sem a necessidade da aplicação de venenos, comemora.
Na adubação da plantas, o pesquisador da Embrapa Solos destaca a correta utilização do adubo permitida pela fertirrigação. O gotejamento permite a aplicação do fertilizante no local correto, com aproveitamento total pela planta, sem desperdício. As novidades como destaca, diminuem a exigência de trabalho braçal na lavoura. Sobra tempo para o produtor namorar a lavoura, brinca.
Macedo informa que o sistema encarece em cerca de 20% a produção, mas ele aposta numa compensação por meio do atendimento de nichos diferenciados de consumidores. A Embrapa já solicitou o registro do serviço. A certificação do produto vai possibilitar a criação de um selo verde, como o dos orgânicos, que estabelece a rastreabilidade do produto com o código de barras que aponta qual é o produtor e todo o processo utilizado na produção, finaliza José Ronaldo Macedo.


