Sacolas Camponesas garantem venda de agricultoras
O projeto Sacolas Camponesas nasceu nesta semana como uma tentativa da sociedade civil de fortalecer as relações de agricultoras familiares com os consumidores. Inspirada em proposta desenvolvida no campus de Três Lagoas da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), a professora Eliane Tomiasi Paulino, do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina (UEL), colocou em prática a proposta de garantir a compra de 40 cestas de alimentos orgânicos, semanalmente, de mulheres do assentamento Eli Vive, na região do distrito londrinense de Paiquerê.
A iniciativa atende também outros objetivos, como garantir acesso à mulher do campo a uma renda mensal. "A agricultura familiar é controlada pelo homem e há dificuldade com a inclusão produtiva da mulher, diferentemente do que ocorre na cidade", comenta a professora e coordenadora do Sacolas Camponesas.
Três grupos de dez mulheres cada passaram a fornecer na última terça-feira 40 cestas de alimentos para professores, alunos e funcionários dos departamentos de Geociências, Biologia e da Administração da UEL. Todos se comprometeram em comprar os produtos, sem intermediários. A expectativa é viabilizar a produção no assentamento e melhorar a alimentação das próprias famílias do local. "A dificuldade fundamental não é produzir, mas fazer com que a produção chegue ao mercado. A renda por produto é pequena e se impõe uma necessidade de escala, mas os pequenos acabam excluídos do mercado", cita Eliane.
O projeto é piloto e tem até fila de espera de fornecedoras de alimentos, que pode ser contemplada após ajustes. Isso porque a proposta exige que todos os alimentos tenham destinação, sem risco de sobras, por meio de um contrato de livre adesão. "Se a pessoa for desistir, precisamos de um tempo para substituí-la. Quando a agricultora vai plantar cenoura, ela tem de saber que poderá comercializá-la quatro meses depois", cita a professora.
O apoiador recebe comida saudável, livre de agrotóxicos. Para uma maior oferta de sacolas, é preciso que o projeto ganhe novos compradores. Todos os alimentos são ofertados em sacolas de feira, retornáveis, e com sete produtos diferentes para que uma família de até quatro pessoas consuma de vegetais e comida fresca em uma semana. São verduras, legumes, raízes e frutas que, em um segundo momento, dividirão espaço com frutas. Como o assentamento tem dois anos, parte dos pomares ainda não está em produção.
A coordenadora do projeto afirma que o princípio do Sacolas Camponesas é que o consumo seja agroecológico, com itens da época, e que não espera uma postura de consumidores neste momento. "Temos de apoiar essas mulheres, trazê-las para a universidade, tirá-las da invisibilidade e da criminalização, porque a população pensa, de forma geral, que em assentamento só tem terrorista. Queremos mostrar que são agricultores", completa Eliane. (F.G.)





