Uma das marcas da Exposição Agropecuária de Londrina é proporcionar o encontro e a troca de experiências entre os que vivem no campo com os do meio urbano. E na Feira Sabores do Paraná, esse contato acontece de forma bastante genuína. Quem visita o Parque Ney Braga por estes dias tem o prazer - mais uma vez - de conhecer e provar as delícias produzidas pelas agroindústrias familiares do Estado. Por outro lado, produtores têm a oportunidade de atender diretamente o consumidor, demonstrar o quê e como produzem e confirmar que suas trajetórias de vida e o esforço que fizeram para colocar no mercado seus produtos fazem sentido e diferença para o campo e para a cidade.
José Luiz Sanches Vilar é produtor em Bandeirantes. O sítio El Shadday, que até 12 anos atrás era usado apenas como lazer passou a ser a residência definitiva dele e da família, quando abandonou a profissão de analista de sistema por problemas de saúde. Vilar passou a cuidar da produção e da criação que já havia na propriedade: milho, soja, vaca leiteira. ''Em 2004, surgiu a oportunidade de comprar um desidratador industrial. Começamos a desidratar alho, salsinha, cebolinha e depois de muito tempo chegamos aos carros-chefes: o tomate seco e a banana passa'', relembra o produtor.
Para desidratar o tomate e a banana, contudo, Vilar e a esposa, Rosângela Sanches Vilar, participaram de vários cursos, inclusive fora do Estado, e contaram com orientações de uma nutricionista. ''Enxergamos nosso trabalho com muita responsabilidade. Trata-se de um alimento, um produto que a gente vende, que vai para a casa do consumidor, por isso precisa ser bom, ter qualidade, ser diferenciado'', ressalta Vilar.
No processo de profissionalização da agroindústria familiar, Vilar e Rosangela seguiram o caminho natural dos que estão no ramo, e também adequaram o local onde processam a matéria-prima conforme as normas da Vigilância Sanitária. Além disso, buscaram assessoria de instituições como Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), Emater e Sebrae, que instruíram o casal, por exemplo, a formatar rótulos e novas embalagens para os produtos.
E, por fim, foram convidados pela Seab para participar da Feira Sabores do Paraná. ''Antes vendíamos nossa produção para clientes da região e em supermercados de Bandeirantes. Agora, ampliamos nossa área de atuação'', revela o casal. Hoje, boa parte da matéria-prima utilizada na agroindustrialização vem direto do sítio El Shadday.
Diante de todas essas mudanças ocorridas na vida profissional de cada um deles e, consequentemente, na pessoal, Vilar confirma que o apoio dessas instituições agregou valor aos produtos e tem gerado muita satisfação. ''A gente fica feliz quando um consumidor passa pela feira, degusta nosso produto e leva para casa. Ele gostou e ficou satisfeito e a gente também'', frisa. E, agora, já tem comprador até de outros estados querendo comercializar os tomates secos e as bananas passas da família Vilar.
Eder Dalla Pria, coordenador estadual do Programa da Agroindústria Familiar da Seab, observa que um dos principais objetivos da iniciativa é mesmo proporcionar a melhoria na qualidade de vida dos produtores. ''Quando trabalhamos para agregar valor na produção deles, melhoramos a renda e a autoestima dos agricultores'', afirma. Atualmente existem cerca de 2 mil agroindústrias familiares no Estado, que produzem mais de 3 mil itens. Na Feira de Sabores do Paraná, que acontece na ExpoLondrina, estão presente 90 delas, tocadas por cerca de 200 famílias, com um mix de mais de 1 mil produtos. Os preços dos itens variam bastante, começa em R$ 1, e tem opções para todos os bolsos.

mockup