As cicatrizes externas, resultado de seu crescimento natural, parecem um emaranhado de rendas feitas à mão. A casca de fundo verde, desenhada com redes brancas e sulcos verde-escuros contrasta com a poupa alaranjada viva, doce como mel. Fruto do melhoramento genético, o melão Magenta - tipo nobre e para exportação - agora está sendo produzido no Paraná, de olho no consumidor interno, que já pode ver - e comer - os frutos da terceira safra.
Único produtor do Estado, por enquanto, o agricultor Luís Ikeda, tranquilo e comedido, conta como começou no ramo e como tem sido o trabalho de anos para colocar no mercado frutos diferenciados e saborosos. Com um melão Magenta cortado ao meio nas mãos, de cor e aroma que atraem os olhares e olfatos mais distraídos, o produtor revela que é preciso seguir à risca os processos necessários para o desenvolvimento de um fruto de alta qualidade.
Feito em estufa, o que ajuda a proteger a planta das intempéries climáticas e de algumas pragas e doenças, o melão Magenta é uma fruta ''semiorgânica'', como define o produtor. A semente e a tecnologia foram oferecidas e fornecidas pela Nunhems, empresa de sementes de frutos e hortaliças da Bayer CropScience, que tem acompanhado de perto a produção na chácara de Ikeda, localizada em Assaí, Norte do Estado.
O produtor, entretanto, não começou no ramo com o Magenta. Desde 2001 vem descobrindo e investindo na produção de melão de alta qualidade. ''A fruta era pouco explorada na época, a produção era artesanal e o mercado era atraente'', rememora Ikeda, destacando que tinha experiências anteriores na produção de culturas em estufa, por isso não sentiu tanto receio em apostar no melão. ''O interessante é que a parte de nutrição dessas plantas não usava adubo mineral'', conta.
Na época, foi para o Japão conhecer a tecnologia e trouxe sementes de lá. Investiu perto de R$ 25 mil para dar início ao negócio. O melão, no caso, era o Netmellow, também rendilhado, mas com a poupa esverdeada. O Magenta, segundo o produtor, foi introduzido a partir de 2007, depois de ter participado de um seminário realizado pela Nunhems. ''Eles me propuseram experimentar a semente deles. Então, testei vários tipos e o que acabou sendo o mais viável foi o Magenta'', diz.
Hoje, cerca de 40% da produção da chácara de Ikeda já é do Magenta. Conforme o agricultor, o custo de produção é quase o mesmo da variedade que já havia no local e o rendimento parecido. Mas o importante é que tem recebido assistência técnica da Nunhems, desde o início do plantio até a comercialização do produto. ''Eles entram com a tecnologia, propaganda e ajudam a encontrar parceiros para venda'', ressalta.
Ikeda comenta que a tendência dentro de sua propriedade é aumentar a área plantada do Magenta, atualmente em 5 mil metros quadrados - ao todo são 10 mil metros quadrados de melão em estufa na sua propriedade. E espera ainda a adesão de outros produtores à cultura. Além de ser um produto diferenciado, segundo ele, tem muito valor agregado, entre eles os nutricionais. ''Dizem que o melão é bom para diminuir o estresse'', revela, brincando e contando que no Japão os moradores comem pelo menos uma fatiazinha todo dia. E lá, só para se ter uma ideia, um melão Magenta chega a ser vendido por até US$ 100. No Brasil, aqui na região, a previsão é que um quilo dessa fruta custe entre R$ 4 a R$ 6 ao consumidor final.
A produção dos melões Magenta de Luís Ikeda nesta safra tem venda exclusiva nas lojas da Rede Supermuffato, de Londrina. Neste sábado a fruta está sendo servida aos clientes, como degustação, no hipermercado da Avenida Madre Leônia Milito, na Gleba Palhano.

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