A família Novaes, em Ubiratã, é mais um exemplo de quanto a interferência feminina na produção é sinônimo de sucesso. O sítio de 24 hectares, comprado pelos sete irmãos, passou a não dar conta do sustento da família quando ela começou a crescer e foram ''incorporados'' ao quadro outros personagens como esposos, cunhados, filhos e sobrinhos. A iniciativa, há 25 anos, sem o enfoque dado hoje, foi para a diversificação. Como opção, o plantio de alho caipira.
Das réstias de alho, entregues nas vendas e mercados da cidade, a produção foi incrementada pela fabricação de temperos prontos, lembra Maria Aparecida Ribeiro Novaes, ou Lia, como prefere ser chamada. Ela foi uma das idealizadoras do novo ramo de atividade da família. ''O alho era socado no pilão ou moído na máquina de linguiça'', conta sem muita saudade. Apesar da fama que os temperos ganharam na cidade a produção era limitada, e a renda também. O fantasma do êxodo rural, começava a tirar o sono da família composta de 24 pessoas.
Em 2002, com o fechamento das escola rurais, o prefeito da época viu no uso desses prédios um meio de incentivar a agroindustrialização. O espaço das escolas foi oferecido a famílias das comunidades que desenvolviam atividades produtivas. Mas o dono do sítio onde estava a escola próxima aos Novaes não aceitou a fábrica de temperos. ''Com recursos do Paraná 12 meses construímos aqui no sítio a nossa fábrica além de comprarmos os equipamentos necessários'', afirma Lia.
''Foi o fim do pesadelo, dá para continuarmos no sítio com um ganho extra'', diz a cunhada Darci. A família mantém a produção em separado, tanto do alho in natura quanto dos temperos. ''Nossa renda média é de um salário mínimo por mês'', contabiliza Lia sobre os ganhos da sua casa. Os produtos são repassados no comércio da cidade, na feira do produtor, além de atender a pedidos de clientes fiéis vindos até de outras cidades.
No mix de produtos estão: alho puro, com sal, tempero completo nas versões natural e desidratado, colorau, açafrão, ervas finas e até mesmo alguns patês (por encomenda). ''Tudo produzido aqui, com exceção do sal'', garante Lia. A produção programada permite a oferta dos condimentos o ano todo. ''Não podemos deixar o cliente na mão''.

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