O trabalho enobrece o homem, já dizia o ditado. O casal Kikuo e Tsurue Furuta sabe bem o significado da expressão. Há 50 anos trabalhando nos campos brasileiros, o casal criou quatro filhas com os lucros da terra e ainda hoje madruga diariamente para coordenar a colheita da atemóia na propriedade em Assaí (36 km a leste de Londrina).
O produtor conta que chegou ao Brasil em 1955 para trabalhar na lavoura de café. Foram necessários 20 anos lidando com o grão para que Furuta conseguisse comprar seu próprio sítio. Além da terra, o agricultor investiu em implementos agrícolas para o cultivo de soja e trigo. ''Não deu certo e acabei perdendo tudo. Passei sete anos apurado. Então decidi trocar de ramo e investir na fruticultura'', declara.
Hoje, o sítio Furuta conta com 2,5 alqueires de atemóia, um alqueire de uvas, e mais um alqueire de lichia. Outros 12 alqueires são arrendados para a produção de grãos. ''A atemóia é a nossa principal fonte de renda'', ressalta.
A produção dura cerca de seis meses. A colheita tem início em março e termina em setembro. O próprio casal é responsável pelo cuidado do pomar e pela colheita dos frutos. A idade avançada - ele com 74 anos e ela com 71 - não os impede de trabalhar com o máximo de perfeição possível.
Segundo Tsurue, o casal tem apenas um ajudante para lidar com os mil pés de atemóia cultivados na propriedade. A produtora explica que depois de colhidos, os frutos são separados por tamanho e os mais graúdos são colocados em sacos plásticos para evitar machucados. Para a entrega, as frutas são protegidas por um guardanapo e depois arranjadas em caixas de papelão. O tamanho da fruta determina o peso da caixa.
Toda a produção é destinada à Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). Cada caixa é vendida a cerca de R$ 8,00. O frutos maiores são mais caros e o preço dos menores pode cair pela metade, alerta a produtora.
''No ano passado colhemos um total de 4 mil caixas, mas este ano está melhor'', calcula Tsurue. Segundo ela, as árvores, com idade média de 10 anos, estão no auge da produção. ''Os pés de atemóia começaram a dar os primeiros frutos aos quatro anos e aos seis a produção já chegava a 100 frutos por planta'', analisa.
Segundo o agrônomo Edson Sato, que presta consultoria ao sítio Furuta, a falta de pesquisas limita o cultivo da atemóia no Brasil. ''A cultura se adaptou bem ao País, mas ainda enfrenta muitos contratempos, entre eles a dificuldade em controlar doenças'', reclama.
Mesmo assim, Sato acredita que o mercado ainda é bastante promissor. ''A atemóia é uma cultura que precisa de dedicação, por isso, é ideal para pequenos produtores'', finaliza.

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