Rusticidade garante resistência à doenças
Dentro do grupo citros a mexerica é uma cultura mais rústica. Esta característica facilita o manejo do pomar, que deve ser cultivado em regiões de microclima, onde a temperatura é amena durante todo o dia.
O cultivo requer solo profundo e de boa drenagem. Segundo o agrônomo Pedro Auler, pesquisador do Iapar, a mexerica se desenvolve bem tanto em solos argilosos como em arenosos, mas não tolera falta de oxigênio. ''É também um fruto exigente em cálcio e magnésio e sensível ao alumínio'', completa.
A mexerica ainda requer raleio, pelo menos uma vez ao ano. O manejo consiste em derrubar até 50% dos frutos de cada árvore, quando ainda estão do tamanho de uma bolinha de gude, para aumentar o calibre dos frutos restantes. ''Os frutos derrubados podem ser aproveitados na indústria de perfumaria, um novo mercado a ser explorado pelos produtores'', diz o diretor comercial da Fazenda Limeira, Marco Antônio Machado.
Na fazenda, a poda é feita durante o inverno e emprega cerca de 30 pessoas. O administrador Ademílson Moreira explica que algumas árvores precisam de poda especial. ''As árvores que estão 'chorando' precisam de cortes que permitam a entrada do sol. Normalmente, o corte é feito de baixo para cima para dar ventilação à planta'', afirma.
Moreira ressalta que as frutas são colhidas uma a uma, com os cabinhos, para atender a exigência dos consumidores. A colheita é feita com tesoura e as frutas são colocadas em uma sacola de pano antes de serem embaladas nas caixas. ''Esse processo evita machucados'', assinala.
Mesmo resistente às principais doenças, um novo mal, conhecido como pinta preta, tem chamado a atenção dos produtores. Causada por um fungo, a doença provoca manchas e pode até derrubar os frutos, que ficam depreciados para o comércio. ''A tendência é se agravar no próximo ano'', alerta o agrônomo Pedro Auler. Segundo ele, a doença vem sendo bastante estudada em São Paulo, onde surgiu. ''A maior preocupação dos produtores é o aumento nos custos do manejo fitossanitário'', completa o pesquisador.
Outra doença recém descoberta pelos pesquisadores é a mancha marrom. Semelhante à pinta preta, ela também é causada por um fungo e deprecia os frutos. De acordo com Auler, estas doenças ainda não comprometem a produção paranaenses. Ele acredita que até três aplicações de fungicidas, a partir da florada, são necessárias para prevenir os pomares. (M.G.)





