Fatores internacionais também tiveram peso significativo para que o cenário de exportação de carne bovina nacional sofresse incremento. Após um biênio de retração, entre 2011 e 2012, os últimos dois anos foram de novo fôlego para o setor.
De acordo com o consultor de mercado Alex Lopes, da Scot Consultoria, os problemas políticos da Rússia com os Estados Unidos e União Europeia – principalmente devido à situação conturbada na Ucrânia – foram fundamentais para que os russos voltassem a olhar com atenção para as plantas brasileiras exportadoras de carne bovina. "Vale dizer que a Rússia é o maior comprador (geral) de carne do Brasil, com um grande poder de barganha. Eles negociam, querem reduzir preços, criam embargos. Isso já faz parte do relacionamento entre os dois países por muitos anos", relata Lopes.
A China também voltou a abrir seu mercado para a carne bovina brasileira no meio do ano passado, mas até outubro não havia comprado absolutamente nada. "Os acordos entre as vigilâncias sanitárias dos dois países não saíram rapidamente e a situação ficou estagnada. De qualquer forma, a China ainda compra pouco este produto, mas o Brasil deve ficar atento, já que a população chinesa é muito grande e tem mudado os hábitos alimentares ao longo dos anos", enfatiza o consultor.
Outros pontos que auxiliaram as transações foram a desvalorização do real frente ao dólar e também a redução do rebanho para abate de alguns países, entre eles os Estados Unidos. "O Brasil tem três pontos que favorecem demais a exportação de carne: o volume de produção, preços competitivos e uma carne de qualidade. Em 2015, acredito que o cenário de exportações será bem similar ao que aconteceu no ano passado."
Para Lopes, todo o setor também deve ficar atento ao que acontece no mercado interno, já que as exportações representam apenas entre 15% e 20% de todo o volume produzido. Ele explica que a arroba subiu em média 30% no País em 2014, enquanto que para o consumidor, o repasse ficou em torno de 10%. Com isso, a margem dos frigoríficos retraiu de 20% a 25% em 2013 para 10% a 12% no ano passado. "Esse limite do repasse ao consumidor reduz as margens de outros elos da cadeia, o que pode enfraquecer o setor como um todo", complementa o consultor. (V.L.)

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