Rumo do agronegócio no Século 21
A afirmação foi feita na penúltima sexta-feira, dia 5, em Londrina, pelo presidente da Aliança Cooperativa Internacional (ACI) e diretor da Associação Brasileira de Agribusiness, Roberto Rodrigues, durante o Seminário do Agronegócio, promovido pela Sociedade Rural do Paraná.
Na visão de Rodrigues os caminhos do agronegócio mundial no próximo século devem começar por um conceito claro de cadeia produtiva. Todo mundo fala em cadeia produtiva, que hoje virou uma palavra conhecida e convencional. Mas, há um ponto no conceito de cadeia produtiva que é essencial - o que importa é o resultado final, ou seja, o prazer do consumidor. Se o consumidor não for atendido, pelo produto, na qualidade e no preço que lhe convier, a cadeia produtiva não pode ter eficiência, disse o presidente da ACI.
ElosComo cadeia, a produtiva também é formada por elos que, no conceito moderno, precisam ter em vista a necessidade de atender o consumidor. Roberto Rodrigues defendeu ainda, como essencial, que os elos sejam bem articulados, de modo que cada um deles seja auto-sustentado, mas as margens sejam distribuídas com equidade. O que se discute a propósito, disse o cooperativista, são as imperfeições da cadeia produtiva, sobretudo na distância financeira da distribuição; na cultura (caso brasileiro) de dependência de ação do Estado.
Na história brasileira, lembrou, cada setor da cadeia produtiva buscou suas margens, negociando com SIF, com Sunab, com algum órgão de governo, sem se preocupar com o elo que vinha antes ou depois. De modo que não houve uma preocupação efetiva com o mercado e, portanto, com o atendimento ao consumidor em última instância.
Alianças estratégicasSomando-se a globalização da economia, a falência do Estado e a estabilização da moeda, segundo o presidente da ACI não sobrou espaço nem para negociar com o Estado favores e privilégios, nem para ser ineficiente. A dependência e a ineficiência terão que dar lugar à independência e à eficiência, no mundo globalizado. Isto, diz Rodrigues, passa pelas alianças estratégicas, que estão sendo feitas no mundo todo. São articulações econômicas entre as empresas - e o governo não tem nada que ver com isso -, de forma a reduzir, ao longo do processo, os custos de produção.
Roberto Rodrigues deu exemplo de aliança estratégica: uma fábrica de adubo que produza 500 mil toneladas por ano e dez cooperativas que, somadas, consumam 500 mil toneladas por ano. A fábrica de adubos tem uma estrutura enorme no Interior - gente vendendo, escritórios, armazéns - que onera o custo de produção, segundo os dados existentes, entre 5 e 10%. E as cooperativas têm um custo menor, porém têm um custo, precisam fazer concorrência na hora de comprar adubo e outros insumos. Por que não fazer uma aliança entre essa indústria e um conjunto de cooperativas? Com uma aliança dessas, a indústria desmobilizaria todo o investimento em infra-estrutura, e passaria a utilizar as cooperativas.
Pequeno produtorO instrumento do pequeno produtor para colocar, em melhores condições, seus produtos no mercado, é fazer também alianças e participar de organismos de articulação e agregação. Como as cooperativas. Só que nós precisamos - ressalva Rodrigues -, também para o cooperativismo, de uma profunda revisão estrutural dos instrumentos de administração.
Sobre a revisão estrutural, o presidente da ACI não tem dúvida: Precisamos reduzir o número de cooperativas no Brasil, através de fusão e incorporações. O Brasil tem 1300 cooperativas de produção (a Dinamarca tinha 1400 cooperativas de leite há 35 anos; hoje tem 14 - e a produção da Dinamarca dobrou nesse período).
Este é um caminho contrário a um discurso recente que criticava o gigantismo das cooperativas. Roberto Rodrigues tem outra opinião: O gigantismo não é problema nenhum. A eficiência dependerá dos mecanismos de comunicação entre a base e a cúpula; da preservação da democracia plena do cooperativismo. Nos países desenvolvidos há cooperativas monstruosas, para fazer frente inclusive às multinacionais que são competidoras no mercado.Paulo WolfgangMudançasRoberto Rodrigues diz que o futuro imediato exige alianças empresariais e mudanças no cooperativismoJota Oliveira





