Criada em 1972 por um grupo de fazendeiros norte-americanos, a organização Communicating for Agriculture desenvolveu um programa de intercâmbio que oferece estágios remunerados para jovens produtores rurais em fazendas dos Estados Unidos, o chamado Communicating for Agriculture Exchange Program (Caep). Anualmente, o País recebe cerca de mil estagiários vindos de mais de 40 países.
No Brasil, a organização é representada pelo pecuarista londrinense Flavio Salvadego, que foi convidado pela Caep para criar um escritório brasileiro depois de ter participado de um intercâmbio em 1996. Ele conta que trabalhou durante um ano na criação de suínos em uma fazenda em Iowa, nos Estados Unidos. Em seguida, estagiou por mais dois meses em uma empresa do ramo da suinocultura na Inglaterra e terminou o intercâmbio na Europa. ''Foi o maior aprendizado profissional e pessoal da minha vida'', declara.
Salvadego explica que para participar do programa de intercâmbio, o jovem deve ter entre 18 e 28 anos e ser produtor rural ou estudante de escolas técnicas ou faculdades da área agrícola. O conhecimento da língua inglesa também é fundamental para a comunicação no exterior.
As propriedades são selecionadas de acordo com o interesse profissional de cada candidato. O intercambista tem alimentação e moradia bancadas pelo fazendeiro e ainda recebe mensalmente uma bolsa-auxílio no valor mínimo de US$ 600. ''Nos custos do intercâmbio está incluso o pagamento de taxas administrativas, seguro saúde, visto e passagem aérea. Para os Estados Unidos e alguns países da Europa, os valores são facilitados para que o aluno pague parte das taxas no exterior, utilizando a própria remuneração mensal'', assinala Salvadego.
Atuando desde 1998, o Caep Brasil já encaminhou cerca de 90 jovens para o exterior. O destino mais procurado, segundo Salvadego, ainda são os Estados Unidos. ''A procura maior é por fazendas mistas que integram a produção agrícola com a pecuária'', aponta.
Ele ressalta ainda que os estágios em propriedades hortifrutigranjeiras e de produção de uvas e vinhos têm ganho adeptos, pois o pagamento é melhor, já que o estagiário recebe por hora trabalhada. De acordo com Salvadego, cerca de 25% dos estagiários brasileiros são gaúchos, outros 25% catarinenses e o restante está dividido entre os demais Estados. Mais de 50% dos intercambistas são produtores, com idade entre 18 e 23 anos.
''A Caep também oferece oito meses de estágio prático no campo e outros quatro meses de aulas em cursos agrícolas da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos'', conta o diretor.
A meta da Caep Brasil para 2005 é encaminhar 40 jovens para o exterior no primeiro semestre e outros 40 na segunda metade do ano. Além dos Estados Unidos, os destinos de interesse são Canadá, Austrália, Europa e Israel.
Este ano, a organização também pretende receber estagiários de outros países. Segundo Salvadego, existe o interesse estrangeiro pelo atual sucesso da agronegócio brasileiro, mas a principal dificuldade é encontrar produtores interessados em dar trabalho aos intercambistas.
Ele reforça que existe a possibilidade de grandes produtores norte-americanos, que vivem no Mato Grosso, em Goiás e na Bahia, abrirem suas propriedades para o intercâmbio.
Serviço Mais informações sobre o intercâmbio agrícola pelo telefone (43) 3323-4815 ou pelo site www.caep.com.br.

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