RS não plantará soja transgênica
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sexta-feira, 04 de junho de 1999
Cláudia Barberato 
O secretário de Agricultura e Abastecimento do Rio Grande do Sul, José Hermeto Hoffmann, defende a transformação daquele Estado em área livre de transgênicos. Ele garantiu na última terça-feira, 1º de junho, que o Rio Grande do Sul manterá firme sua decisão de proibir os transgênicos, através de uma Lei Estadual já aprovada.
Ele afirmou que a decisão do Ministério da Agricultura, apoiada pelos Ministérios da Ciência e Tecnologia, Saúde e Meio Ambiente, de liberar o registro de cinco variedades de sementes de soja transgênica, é apressada para uma questão tão polêmica e que deveria ser melhor estudada.
Disse ainda que o Rio Grande do Sul está mais próximo do posicionamento cauteloso. Além de prejuízos para a saúde humana e o meio ambiente, as plantas modificadas geneticamente, avalia Hoffmann, podem ser um mau negócio para o mercado brasileiro da soja.
DependênciaHoffmann acredita que o problema dos transgênicos começou com a aprovação, no Congresso, das leis de Cultivares e de Patentes, em 1996. Isso fez com que as empresas multinacionais de sementes pudessem patentear sua produção e investissem mais em pesquisa, coisa que era feita somente por entidades do Governo, como Embrapa, Iapar, Epamig, entre outras. A partir daí o País passou a depender das multinacionais produtoras de sementes.
Ele tem sustentado que, além dos efeitos danosos que os transgênicos poderão ter sobre a saúde e o meio ambiente, existe a questão do pequeno produtor que não poderá mais fazer suas próprias sementes. Rio Grande do Sul e Paraná, por exemplo, que têm uma situação parecida de pequenos agricultores que usam parte da soja colhida, para produção de sementes, a ser utilizada na safra seguinte, serão seriamente prejudicados. O agricultor, sobretudo o pequeno, perderá sua autonomia e poderá haver até um processo de exclusão.
Fora esta questão, alerta Hoffmann, como se não bastasse, vários países da Europa e o Japão já se mostram dispostos a não importar alimentos transgênicos, o que asseguraria mercados receptivos à soja tradicional e não à transgênica, fechando o mercado de exportação para a Europa.
Segundo Hoffmann, a Europa importa anualmente 32 milhões de toneladas de soja. O Brasil é um grande fornecedor, já que tem a segunda maior produção do mundo. Com a liberação dos transgênicos, estaria jogando fora uma chance impar de conseguir até melhores preços pela soja tradicional. Com a liberação dos transgênicos nos Estados Unidos e Argentina, o Brasil poderia até se tornar fornecedor exclusivo.
Para garantir que a soja transgênica não seja cultivada no Estado, o Rio Grande do Sul vai fazer a fiscalização de sementes, análises do grão e acompanhamento do produto até o porto. Para isso haverá um aumento de custos que o governo estadual terá que bancar, trazendo prejuízos para outros setores do orçamento.
Lamento que os ministérios não se sensibilizem pelo menos por esta questão de mercado que o Brasil estará perdendo. O mais sensato, na opinião de Hoffmann, seria uma moratória de cinco anos para estudar os efeitos sobre saúde e meio ambiente, além de mercado, e verificar se o preço da soja transgênica seria realmente compensador.


