Royalties rendem R$ 2,1 milhões à unidade
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sexta-feira, 15 de abril de 2005
Jaime Kaster<br>Reportagem Local 
O desenvolvimento de uma cultivar é algo que demanda tempo em média oito anos e muito dinheiro. No caso específico de uma variedade que se mostre tolerante à seca (caso das pesquisas em parceria com o Jircas), somente com os testes de biossegurança, ensaios e demais trâmites legais para a sua aprovação, a Embrapa Soja gastaria ''alguns milhões de dólares'', segundo estimativa do pesquisador Norman Neumaier, que chefia a Área de Comunicação e Negócios da unidade. E de que forma a Embrapa tem o retorno desse investimento? Uma parte vem com os royalties recebidos pela utilização de suas variedades pelos produtores.
''Mas nosso principal retorno é social, com a utilização em larga escala das nossas cultivares e isso resultando numa maior produção de soja para o Brasil a um menor custo a cada ano. Somos uma empresa pública e estamos a serviço da agricultura, que é uma questão de segurança nacional'', ressalta o pesquisador. Ele menciona que até nos Estados Unidos, que é um país liberal, o governo sustenta 90% das pesquisas feitas pelos institutos públicos e universidades.
No entanto, a verba arrecadada pela Embrapa com royalties não pode ser desprezada. ''É um número impreciso, mas pode-se estimar que essa arrecadação cubra de 30% a 40% dos nossas despesas'', conta Neumaier. No ano de 2004, esses royalties representaram R$ 2,1 milhões, que foram reinvestidos em pesquisa. O valor é maior, porém uma outra parte desses royalties fica com a Embrapa Transferência de Tecnologia, unidade sediada em Brasília que é responsável pela comercialização das sementes básicas para as empresas produtoras de sementes.
A empresa começou a receber royalties na safra 94/95, quando firmou parcerias com as fundações privadas, que se encarregam de recolher os royalties de seus multiplicadores de sementes. Eles pagam à Embrapa de 2% a 3% do valor de cada saco de semente. E como têm exclusividade para comercializar as cultivares da Embrapa, essa concetração facilitou a arrecadação.
Apesar de ter esse retorno financeiro, a Embrapa nunca chegará a se autosustentar, garante Norman Neumaier. A filosofia da empresa, segundo ele, não é vender serviços, mas doar, transferir tecnologias para o produtor nacional. ''A Embrapa não pode centrar o foco apenas em cultivares, pelo fato delas darem retorno econômico. Senão, quem vai financiar pesquisas com manejo de solos, fisiologia, entomologia e outras áreas que são vitais para termos uma produção sustentável no Brasil?'', questiona o pesquisador.


