Rotação x sucessão de culturas
O produtor deve entender que rotação e sucessão de culturas são tecnologias diversas, defende o agrônomo Eleno Torres, pesquisador da área de manejo do solo e cultura da Embrapa Soja. Não basta trocar soja por milho safrinha no inverno e achar que está rotacionando a terra. É preciso investir em culturas de cobertura, que forneçam nutrientes ao solo e favoreçam seu equilíbrio, alerta.
Segundo ele, o produtor precisa planejar a condução da propriedade com detalhes e o ideal seria ter o acompanhamento de um técnico, que o aconselhasse na tomada de decisão. Não é a toa que o plantio direto é bastante realizado em regiões onde os produtores são organizados, onde há forte atuação das cooperativas. Os técnicos conhecem a realidade da região e incentivam os produtores a fazer a rotação de culturas, diz.
Segundo o pesquisador Paulo Galerani, o produtor deve encarar a rotação como algo mais do que um item na planilha de custos. A rotação é uma importante ferramenta de controle de problemas como a descompactação do solo, por exemplo, ensina.
Para Galerani, o controle de doenças tem caminhado bem, enquanto o controle de pragas ainda está engatinhando dentro do plantio direto. Os problemas aparecem quando o sistema é mal feito, quando o produtor investe na monocultura como resposta aos anseios financeiros, avalia.
Para facilitar a rotação, o pesquisador indica a divisão da propriedade em pequenos talhões, rotacionados a cada quatro anos, assim o produtor não precisará abrir mão de áreas destinadas ao cultivo comercial. A recuperação do solo se dará aos poucos, com a introdução, em pequenos talhões, de aveia preta e leguminosas entre as culturas de soja e milho, sugere. (M.G.)





